terça-feira, maio 04, 2010

Bodas de...

Ora aqui vai uma publicação que penso ser muito útil para quem está casado ou necessita um bom incentivo para uma qualquer comemoração. Faço-o porque eu mesmo estou à beira de comemorar 10 anos de casamento. Como se trata de uma passagem para os dois dígitos acho que devo tornar o dia diferente, apimentar o mesmo com algumas dicas acessórias. Reza a história em Portugal que após a comemoração da data da cerimónia que anuncia o casamento: “o dia do casamento”, contamos, depois, com as bodas de Prata (aos 25 anos de casamento) e com as Bodas de Ouro (aos 50 anos de casamento), para podermos comemorar algo de diferente. No entanto parece que um pouco por todo o mundo existe um motivo, ano após ano, para comemorar. Como tal pesquisei um pouco pela NET e pelo vistos todos os anos se encontra um tema, um nome ou um motivo para comemorar. Partilho então convosco as respectivas bodas, mas não se esqueçam que convém oferecer algo mais que palavras ok?

· 01 ano - Bodas de Algodão
· 02 anos - Bodas de Papel
· 03 anos - Bodas de Trigo
· 04 anos - Bodas de Cera
· 05 anos - Bodas de Madeira
· 06 anos - Bodas de Perfume
· 07 anos - Bodas de Lã
· 08 anos - Bodas de Cobre
· 09 anos - Bodas de Cerâmica
· 10 anos - Bodas de Estanho
· 11 anos - Bodas de Aço
· 12 anos - Bodas de Seda
· 13 anos - Bodas de Linho
· 14 anos - Bodas de Marfim
· 15 anos - Bodas de Cristal
· 16 anos - Bodas de Safira
· 17 anos - Bodas de Rosa
· 18 anos - Bodas de Turquesa
· 19 anos - Bodas de Cretone
· 20 anos - Bodas de Porcelana
· 25 anos - Bodas de Prata
· 30 anos - Bodas de Pérola
· 35 anos - Bodas de Coral
· 40 anos - Bodas de Rubi
· 45 anos - Bodas de Platina
· 50 anos - Bodas de Ouro
· 60 anos - Bodas de Diamante
· 70 anos - Bodas de Cobre
· 75 anos - Bodas de Brilhante
· 80 anos - Bodas de Carvalho

Poderão existir ainda mais bodas pelo meio, ainda assim se houver quem comemore aniversários de casamento para além dos 80 anos resta-me dizer... PARABÉNS!

segunda-feira, abril 26, 2010

Pais após o casamento dos seus filhos.

Quase no final do mês de Abril e ainda sem ter tido alguma ideia para uma nova publicação decidi procurar um tema na NET. Decidi salientar um tema muito importante na sociedade actual, muitas vezes também foco de muitos problemas que passa pela relação com os pais após o casamento dos seus filhos. Nem sempre se trata de uma relação fácil, muitas vezes de forma consciente ou inconsciente podem provocar mesmo o fim de uma relação. Além da independência do casal, recém casados ou não, muitas vezes poderão também ocorrer problemas de falta de privacidade, nomeadamente ingerência nos assuntos do casal. Nesta relação entre pais e filhos a tomada de decisão, quando necessária, nunca é tomada de animo leve, os laços são muito fortes e muitas vezes as partes não aceitam bem as criticas. Durante a pesquisa encontrei uma publicação bastante interessante, sobre este mesmo tema, o mesmo está assinado por Madalena Dias na secção fichas de leitura no site http://www.emspublinet.com/. Apreciei e partilho convosco:

O que aparentemente é uma questão banal e instituída socialmente, consiste num dos maiores paradigmas relacionais e está associado a muitos divórcios ainda na era actual. Trata-se do encontro e adequação do papel dos pais no casamento dos filhos.

Teoricamente, com a idade adulta, os filhos passam a ser responsáveis pelas suas escolhas, pelas pessoas com quem convivem e se envolvem, pelo seu dinheiro e profissão. Esta liberdade confere aos filhos, o direito de assumirem as suas opções e de não permitirem as interferências parentais.

Contudo, na prática, as coisas não são bem assim! Por um lado, há filhos muito dependentes dos pais e, nem o casamento lhes permitiu o processo de desvinculação, por outro, há pais tão autoritários que, não aceitam as opções dos seus descendentes e interferem na sua vida conjugal.

Tudo começa desde que nascemos e recebemos as influências do meio. A rapariga constrói o modelo do pai, do irmão e de outros elementos masculinos dados como ideais para um futuro marido. O mesmo acontece com o rapaz e a mãe, a avó, a irmã ou outras influências femininas. Quantas mais pessoas do género oposto se conhecer, mais abertura intelectual teremos e mais facilmente nos ajustaremos numa relação.

O primeiro namoro precisa de ser “aprovado” pelos pais que, supostamente saberão quem melhor se adequa à vida do filho e, com esta atitude ingénua, os filhos estão a mostrar que não são capazes de fazer as suas escolhas. Este facto dá abertura aos pais que, de imediato, se assumem como protectores incondicionais e não sabem quando devem assumir um novo papel.

A ideia de fragilidade dos filhos e que eles serão eternas crianças, está aqui bem presente. Claro que, no casamento, o traço continuará e, daí os problemas e as “colheradas” no seio do casal!

Uma solução começa pelos filhos perceberem que têm essa responsabilidade, que só depois de aceitarem a pessoa em causa é que deverão apresentá-la aos pais como sendo a sua escolha, mesmo correndo o risco de errar e de mudar mais tarde, pois nada é absoluto ou perfeito. Com esta postura, naturalmente os pais percebem que os filhos cresceram e procuram outros centros de interesse para si. Eis que começa o processo de desvinculação que é: aceitação e respeito entre pais e filhos, mas cada um segue o seu percurso de vida, com a manutenção dos laços afectivos.

Os pais não terminam no casamento dos filhos, nem estes só evoluem com a autorização parental. Há um corte necessário na forma de se encararem mutuamente. O rapaz deverá manter a sua relação com os pais que, no fundo são as suas referências e a rapariga igualmente alimentar a relação parental, mas o novo elemento não deverá expor-se a essa transformação. Com o tempo e a reestruturação familiar, naturalmente a nora e o genro passarão a ser aceites, mas é um processo gradual e, nem sempre fácil e óbvio.

O novo elemento deverá concentrar-se na pessoa amada e não nos sogros, pelo que a distância é uma boa opção até que exista consistência relacional e alguma confiança adquirida. Lembre-se de que, primeiro os pais têm de se adaptar à ideia do filho adulto, só depois terão capacidade para aceitar a sua escolha amorosa, por isso, não se envolver no seio familiar é um truque com bons resultados, senão poderá comprometer o casamento mesmo sem que dele tenha tirado partido!

Ao mesmo tempo, o filho precisa de se contextualizar da ideia de casado e de saber como vai lidar com os pais. Sem que se pense no assunto, é aqui que reside a base do casamento bem sucedido: separar os papéis para que se construam de uma forma mais amadurecida.

Muitos casais não chegam a consolidar a relação pela necessidade de aprovação dos pais. Não há erro maior, pois afinal quem é que vai viver com a pessoa?! Ao mesmo tempo, a ideia de que o “filho merecia melhor” é outro estigma que limita a acção da nora ou do genro, pois os pais fazem um retrato de quem gostariam para os filhos.

Este processo é tão normal que os filhos deverão proteger-se, pois caso contrário, terão muitas dificuldades em viver uma relação estável e duradoura. Não cabe aos pais saber como agir, mas sim aos filhos dizer como desejam ser tratados na idade adulta e depois de casados…

De Madalena Dias,

http://www.emspublinet.com/index.php?article=10016&visual=8&id_area=1&layout=20

quarta-feira, março 24, 2010

Aniversário

Mais um! É verdade, o relógio não pára e hoje passo para os 39 aninhos. Cada vez mais perto a despedida dos intas, será daqui a um ano a chegada aos entas se entretanto nada me acontecer. É mais um dia especial e estou a trabalhar como é costume, o serviço não pára e cada dia é importante. Sinto-me bem e melhor que o ano passado, e isso é bom. É verdade que a responsabilidade continua a aumentar e os pensamentos são mais realistas. Tal como o ano passado não estou triste, nem sequer melancólico, os anos passam e temos de aproveitar a vida ao máximo, no melhor e no pior. Amadureci mais um pouco e os conhecimentos adquiridos compensam algumas variantes em fase descendente, confirma-se que a vida é um binómio entre o físico e a alma. No plano físico tenho tido umas crises de rins, dizem que é falta de água e se assim for irei tentar beber mais. Felizmente continuo a não sentir nos ossos as manias do tempo, e também não consigo decifrar se chove por um simples olhar do céu ou dos pássaros. Já a alma encontra-se calma e em paz. Admiro ainda mais o silêncio, a barulheira já me irrita e adoro ainda mais o meu sofá, amor esse que continua a aumentar exponencialmente. Ainda continuo sem fazer desporto, não me alimento sempre de forma saudável e continuo a fumar meio maço de tabaco por dia. Tenho mesmo de alterar alguns maus hábitos pois penso no futuro e isso é inevitável, quero como toda a gente, ter boa qualidade de vida, sem sofrimentos físicos ou outros. A minha norma mantém-se, deixar fluir e ir vivendo, dia após dia, batalha após batalha, lutar sempre pelo melhor para mim e para os que me rodeiam. Quanto aos meus amores, a minha mulher continua linda e a minha filha está a crescer, linda como a mãe. O meu pai está estabilizado na sua doença, a minha mãe lá continua uma lutadora que sofre em silêncio. Os sogros estão porreiros mas a família perdeu este ano um elemento importante, o meu querido tio Saul, a quem dediquei o post anterior. Este ano não faço nenhuma festa, apenas irei almoçar com os meus pais e sogros possivelmente. Para o ano logo penso em algo mais festivo com todos os amigos, tipo uma celebração. Até lá então…

sexta-feira, março 19, 2010

Saul Vieira

Esta publicação tem um motivo muito especial, trata-se de uma homenagem minha a um tio muito querido, de nome Saul Vieira . É a primeira vez que o vou fazer, e infelizmente faço-o depois da sua recente morte… é sempre assim. O meu tio também tinha um “animigo” (ver post com o mesmo nome em Março de 2006), igual ao meu, e talvez por isso tenha morrido de cancro do pulmão, quem sabe se foi mesmo por isso? Possivelmente terá sido essa a causa, prematura, da sua partida para o céu. Todos sabemos que aplicar a racionalidade á morte de entes queridos é difícil, a perda sabe sempre a grande injustiça, mas prefiro pensar que o seu sofrimento acabou e encontra-se agora em descanso. O Saul era aquele tio sempre bem disposto e divertido, destacava-se dos demais nas festas da família, sendo sempre o motor da boa disposição e o apelador da gargalhada geral. Sempre gostou de beber uns copitos, o que agudizava a sua veia brincalhona e o desinibia ainda mais. Era no fundo o centro das atenções, mesmo para aqueles que não o conheciam, e que criavam rápida empatia com ele. A sua atitude sempre jovem era apelativa ao diálogo, aquelas pessoas com quem falamos sem problemas, era um de nós… um eterno jovem. Na sua oficina peculiar, ou museu como eu lhe chamava, qualquer peça mesmo que insignificante ganhava vida. Era o seu cantinho, onde sentado num banquinho pequeno se ouvia sempre bom fado ou a eterna Banda de Alcochete, de onde era natural. Não foram muitas as ocasiões, a malta casa e depois tem a sua vida, mas no local ainda bebi uns copos e fumei umas cigarradas com ele. Era também uma referência entre amigos e colegas de trabalho, os quais mostraram resignação na sua partida. Penso que a sua grande prisão e sofrimento durante os últimos dois anos deveram-se a não se poder expandir, a sua alma jovem teve de partilhar o corpo de um velhinho, sendo uma incompatibilidade fatal. Se o céu existir é por lá que o iremos encontrar, espalhando alegria e boa disposição.

Descansa em paz.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Associação Criminosa, E.P.

No mundo do desporto, concretamente em desportos praticados com as mãos, costuma-se aplicar o termo “mão quente” quando um jogador está a marcar pontos, golos ou qualquer quer que seja o objectivo. Aproveito a analogia por achar que os políticos portugueses, e também os seus amigos de confiança, andam com as mãos bem quentes. Não cheguei a esta conclusão porque tenha provas disso, até porque não tenho nenhumas provas para apresentar. Aliás, no que respeita a provas, já ninguém sabe bem o que vale ou não vale como tal, é que existem agora as provas formais, e as informais também. No fundo, nós, os outros, andamos cercados com informações e desinformações, ataques e defesas, cabalas e compadrios, por entre uma série de “novos” termos que vão surgindo, tais como amiguismo, combinata e muitos outros. Não serão estas a palavras que gostaríamos de estar sempre a ouvir daqueles que por nós foram eleitos democraticamente, que elegemos para darem rumo a este pais… (paragem).

Passaram-se seis dias até voltar a este texto, muita coisa aconteceu, incluído a tragédia que se abateu sobre a ilha da Madeira. Não sei se será coincidência, no texto que publiquei em 15 de Janeiro de 2010 intitulado “2012, A Profecia…”, disse ter a sensação que, principalmente este ano, iriam suceder-se uma série de catástrofes naturais. Também disse que poderia ser sugestão, e poderá continuar a ser. Posso estar a exagerar, mas este inverno tendencialmente rigoroso deixa-me um pouco deprimido, dai talvez me tenha deixado levar por isso e ando um pouco “negativo”. Os últimos textos são exemplo disso, reconheço que não ando muito optimista em relação ao futuro e uma onda cinzenta vagueia pela minha cabeça. Há que mudar o ciclo e corrigir esta abordagem, levantar a moral e enfrentar o futuro com esperança.

Publico o texto e mantenho o titulo, continuo a ter as minhas dúvidas em relação aos nossos políticos, no entanto nada posso provar, nem sequer a mim mesmo. Poderei, em época de eleições, contribuir com a minha opinião em relação a tudo o que se tem passado, votando, ou não.

Agradeço as palavras da minha grande amiga Teresa, sempre fiel e quase única comentadora dos meus textos. Invariavelmente tenho a tendência em convergir para a negatividade, está-me no sangue. Voltei a equilibrar as forças e afinal há esperança no futuro, as palavras da Teresa são um indicio disso mesmo.

Caso para dizer, poucos comentadores… mas bons.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Estranho mundo que habita dentro de nós…

Não é um tema novo nas minhas publicações, mas é um tema com o qual constantemente me debato. Já falei, directa ou indirectamente, sobre os paralelos da vida, a interior e a exterior. Tenho focado muito nos últimos tempos na compreensão do universo, pesquisando ou procurando algumas “possíveis” respostas, não de como a vida surgiu, mas de como a vida se desenvolve, como chegar á “verdade” da existência. Procuro no meu mundo algumas respostas e quantas vezes sou surpreendido, ou interrompido, com aquelas perguntas tipo:

- “… em que pensavas?”;
- “… estás no mundo da lua?”;
- “… parece que nunca andas cá…”;

È verdade, por vezes não ando por cá, ando mesmo por lá, lá longe, onde existe um mundo concebido á minha medida, só meu. Nesse mundo tenho a possibilidade de viver a vida que quero, ser o que quiser e, a melhor parte, fazer acontecer… tudo o que quiser e como quiser. Fantástico esse mundo, onde vivemos em pura consciência, onde os sentimentos abraçam os nossos desejos, onde a vida é real, onde somos 100% nós mesmos. Não se trata de olhar para dentro, de sonhar acordado, é viver em liberdade num mundo “físico” cheio de regras e barreiras a cada passo, em cada momento. Recorrendo á técnica de analogia, essencial em qualquer exposição ou experiência, em minha opinião o nosso interior não mais é do que um simples e básico simulador. O uso, a técnica, consiste em num único sistema utilizar toda uma série de dados, ou variáveis, impossíveis de utilizar em qualquer outro modelo similar. O resultado das simulações, a aplicação do mesmo, é também uma verdadeira surpresa, em que por vezes a nós próprios surpreende.

Há quem diga que reflectindo mudamos o nosso interior. Não sei se posso concordar com esta afirmação, assim de forma simples, ou com este ponto de vista, pelo menos no meu caso. A reflexão, a “solo”, permite-nos viver e reviver de acordo com a nossa vontade, avançar e recuar, analisar e concluir, mas sem garantia que possamos mudar o que quer que seja. Neste mundo, só nosso, podemos mudar sim, mas nunca nos iremos separar da nossa vontade, do nosso verdadeiro ser ou essência. A reflexão em grupo, o ideal, a tendência, não é mais nem menos do que encontrar um ponto comum em todos os mundos, ou nos enquadramos, ou não. Teremos de simular e obter respostas.

Há quem diga que, dentro de nós, se inicia a construção de um mundo melhor. Nada mais poderia ser verdade, mas de que mundo falamos? Certamente não será do mundo “físico”, esse nunca será melhor que o “nosso mundo”. A verdade é que sempre iremos querer um mundo melhor, melhor para nós mesmos certo? Há que ter a coragem de o dizer assim mesmo, não vale a pena mentirmo-nos. Cada um de nós irá sempre tentar conduzir ou levar que se chegue a um mundo á sua própria imagem, aquele que idealiza no seu simulador. Cada um de nós irá seguir e tentar passar para a vertente física o seu próprio mundo. Só assim cada um de nós poderia viver num mundo melhor. Como isso em teoria não é possível, se bem que para alguns independentemente do processo ou meio em que vive, como vive, ou como se proporcionou viver, possa mesmo acontecer e viver no seu mundo ideal, aos restantes cabe a “penosa” tarefa de viver com cedências, adaptar-se ao possível.

Portanto, como também há quem diga, vivemos no mundo que construímos…mas será mesmo assim? Acho que não… porquê? Não pode nem nunca poderá existir um mundo perfeito, aquele que muitas vezes se designa como a vida no céu, chegar ao céu. Cabe-nos viver neste “mundo possível”, cedendo e criando cedências, sobreviver aos mundos de todos nós, ao mundo desconhecido onde existe toda uma série de variáveis e incógnitas, em conformidade com a natureza, a variável das variáveis, a incógnita das incógnitas. A chave é simples, no nosso mundo tudo é possível, basta querermos. No mundo real, no mundo físico, no mundo dos mundos, não basta apenas querer, basta simplesmente sobreviver, querendo…

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Free Run


Existe um termo no mundo das telecomunicações designado “free run”, ou melhor, sem qualquer fornecedor ou fonte de relógio. Por norma, as redes de telecomunicações têm preferencialmente uma única fonte de relógio de referência, e deverá ser válida e fiável. Tenho escrito sobre vários assuntos que me ocorrem, preocupo-me no entanto por expor os mesmos criando variadas analogias, fiáveis. O termo, traduzido á letra, diz tudo sobre o ponto onde vou querer chegar, corremos sem qualquer referência, pelo menos válida e muito menos fiável. Ainda hoje, durante a hora de almoço, eu e os meus colegas debatíamos sobre o estado actual da sociedade e falou-se muito de capitalismo e de “Zeitgeist”.

Sobre o capitalismo já quase toda a gente falou, a fundo ou não todos têm opinião formada sobre o assunto, no entanto acho que andamos todos um pouco enganados. Há muitos anos atrás o capitalismo era a tábua de salvação mundial, quem já não ouviu a celebre expressão “o sonho americano”. No fundo o capitalismo é uma ideologia como qualquer outra, a experiência assim o diz e o resultado também o comprova. Sempre se promovem com boas bases, sustentadas ao bem estar da sociedade, com bom fundo e como objectivo principal a elevação da raça humana. Com os meus 38 anos, vivendo quase sempre sobre a alçada do dito capitalismo, já não vou tendo dúvidas sobre o eminente colapso do mesmo. Como sempre a ideia até não é má, mas a derivação sofrida ao longo dos tempos e a constante lacuna humana a incrementar ruído e a desviar o processo vão dar mau resultado. Não o digo por ter aderido a qualquer outra ideologia, elas existem e a espaços começam a surgir seguidores e pregadores das mesmas. Desde soluções ligadas à religião, ao humanismo, até mesmo o recurso a uma terceira guerra mundial, não me parece existir em qualquer delas uma única solução. O que pretendo dizer é que estamos mesmo “lixados” e reforço que maus tempos virão, não acredito que a situação se resolva a bem, infelizmente.

Quanto a Zeitgeist acho melhor não falar sobre o assunto, quem quiser que pesquise na internet ou o faça da forma que achar mais apropriada. Já me habituei a esquemas de contra informação e a duvidar de tudo e de todos, já nada tem o selo de “verdade” e agora optei por ouvir o meu instinto… só vendo é que acredito. Sei que é triste chegar a esta conclusão, no fundo não preciso ir muito longe para verificar o actual estado da sociedade. Na conjuntura actual recupera-se de uma grave crise financeira, mas no fundo e se pensarem bem a mesma não passou de uma triste brincadeira. A sociedade em si abanou, algumas pessoas sofreram e sofrem os seus efeitos, já alguns beneficiam com os mesmos. É o capitalismo no seu estado mais puro: débito/crédito.

Poderão perguntar, e bem, se existe alguma solução para evitar o anunciado colapso da actual sociedade. A maioria das pessoas diria que sim, existe sempre uma solução para tudo, o que acaba por ser verdade, nem que seja porque se quer ser optimista e se tem esperança que tal aconteça. A minha resposta é invariavelmente negativa, se me questionarem sobre o assunto não vejo qualquer solução válida nem praticável nos próximos tempos. Geralmente os sistemas são ensaiados em modo reduzido, testam-se pequenas amostras que poderão servir de base a decisões, ou a conclusões. No meu banco de ensaio, a minha observação ao modelo onde estou enquadrado dá-me resposta imediata à pergunta. Não vejo em nada nem em ninguém qualquer referência maior que me chame a atenção, que me faça seguir determinado caminho, apenas sobrevivo no meu cantinho. Como pessoa tenho os meus valores, aprendi-os á minha custa e agradeço a muita gente a pessoa em que me tornei. O meu fio condutor passa pela minha própria pessoa e pelos meus entes mais queridos, até por alguns amigos que muito estimo. Nada de novo foi dito, assim sou eu e praticamente todas as pessoas que habitam neste planeta. A vida é curta, nunca se sabe o dia de amanhã, os nossos filhos terão de se desenrascar e não vale a pena chatearmo-nos com isto. Quando a coisa der para o torto irei defender-me como puder, a mim e aos meus, não irei olhar a fronteiras nem a qualquer espécie de compaixão humana. Somos assim e este é o nosso estado mais puro.

No fundo terei de chegar a esta modesta conclusão, o homem e a sua sociedade trabalham em modo: free run!

sexta-feira, janeiro 15, 2010

2012, A Profecia...

Já estamos em 2010, desejo a todos um excelente ano, se não for melhor que também não seja pior. Em relação a mim, a primeira quinzena que já passou continua como terminou em 2009, em ascendente. Começo assim o lançamento de mais um post, o primeiro, com um tema que a espaços se ouve falar por ai, o ano 2012. Existe um filme sobre o assunto mas ainda não o vi, estou curioso e já vi no YouTube alguns trailers do mesmo. Já em 1999 se falou muito sobre o assunto, corria a frase ”a 2000 chegarás, dos 2000 não passarás…”. Passámos!


Acabei por me dar à procura de algum fundamento para mais uma data anunciada para o fim, algures em Dezembro de 2012. Mesmo não tendo as melhores expectativas para o futuro da raça humana este seria um final… sei lá… complicado, estranho. Terminei as buscas porque é um tema horrível, acho que seria bastante deprimente se agora me desse a preparar-me para esse dia. Tenho, ainda assim, a noção que a nossa vida irá começar a sofrer algumas complicações, algo está a mudar no “nosso universo”. Tenho a sensação que, principalmente este ano, irão suceder-se uma série de catástrofes naturais, será por sugestão? Não sei.

O facto é que dou-me por vezes a pensar em medidas preventivas, guardar racionamento de toda a espécie, construir um abrigo, etc. Até já pensei em comprar uma arma, ou várias, tudo numa perspectiva da possibilidade de ocorrer o que de pior penso para o futuro. Penso principalmente na protecção da minha família, nos meus entes mais queridos, na possibilidade de lhes acontecer algo. É uma linha de pensamento que não quero de forma alguma alimentar, trata-se do futuro e como tal estaria a criar cenários, e bem negros. Dai, vou-me forçar a ignorar o assunto, continuar a viver ao momento, olhar para o futuro de forma mais positiva, enfim… viver naturalmente.

Ainda assim, da pesquisa que efectuei, relembro o que me levou a pensamentos fora do comum, ao verdadeiro medo, segue a profecia:


"A profecia maia para 2012 baseia-se em um alinhamento astronômico. Em dezembro de 2012, o sol do solstício vai se alinhar com o centro de nossa galáxia. É um raro alinhamento cósmico. Acontece uma vez a cada 26.000 anos" diz John Major Jenkins, autor do livro Maya Cosmogenese 2012.”


Partilho também este endereço, penso ser um site interessante e aborda toda uma série de leituras e linhas de pensamento:




Tudo de bom a todos… até aqueles que não gosto.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

Isto sim, é serviço público.


Antes do final do ano, para acabar em grande, gostaria de partilhar mais um e-mail recebido. Não apurei se a fonte é real ou é simples anedota, no entanto para qualquer das hipóteses não deixa de ser hilariante. Verídico, ou não, a história remonta a tempos antigos e ocorreu no nosso maravilhoso pais. Digamos que é a cereja em cima do bolo, facto que relaciono com tudo aquilo que este ano comentei em relação ao sector público português, nomeadamente em relação à justiça. Segundo indicação no e-mail, trata-se de uma sentença proferida em 1847 no processo contra o Prior de Trancoso, fonte do Arquivo Nacional da Torre do Tombo:

Autos arquivados na Torre do Tombo, Armário 5, Maço7
“Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e dois anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos dos cavalos, esquartejado o seu corpo e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime que foi arguido e que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com vinte e nove afilhadas e tendo delas noventa e sete filhas e trinta e sete filhos; de cinco irmãs teve dezoito filhas; de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas; de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas; de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas; dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve três filhas, da própria mãe teve dois filhos. Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido em cinquenta e três mulheres”.

Agora vem o melhor...
“El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou por em liberdade aos dezassete dias do mês de Março de 1487, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região da Beira Alta, tão despovoada ao tempo, e guardar no Real Arquivo esta sentença, devassa e mais papéis que formaram o processo”.

Tal como nos dias de hoje, isto sim, é serviço público.

quarta-feira, dezembro 23, 2009

Boas Festas em 2009

Cá estamos de novo a chegar ao final de mais um ano, já começaram os preparativos para a quadra natalícia e posteriormente a passagem para o novo ano. Para mim é altura de fazer contas, verificar se os objectivos estão cumpridos e detectar onde ocorreram falhas, se existirem claro. Sempre fui ouvindo, aqui e ali, que este seria uma ano de mudanças, chego agora ao final e na parte que me toca não posso deixar de concordar, elas de facto ocorreram. Ainda não acabou, está quase, mas pelo menos até agora as mudanças foram positivas e alguns objectivos foram cumpridos, acho que trabalhei bem.

Profissionalmente consegui um objectivo que estava pendente desde o ano de 2005, concretamente desde o “malvado” mês de Julho. Foram necessários quase 4 anos para ser transferido de departamento e de serviço, o empenho foi feroz e por vezes arriscado, mas foi essencial. À data de hoje tenho um “horário fixo”, trabalho num projecto aliciante que acabei por ser eu mesmo a criar, e faço o que gosto: programação. Apesar de não ser a minha designação de carreira na empresa, agora sim, sou Analista e Programador Informático. Sinto-me bem!

Financeiramente, com objectivo que também já vem pendente de há alguns anos, não existiu evolução “palpável”, no entanto algo mudou e já posso sonhar. Não vale a pena dizer quantos anos de pendência pois deixa-me um pouco angustiado, agora essa angustia foi suprimida e aliviada pois existe a possibilidade de evoluir nesse campo. Se a mudança profissional melhorou, e muito, a minha qualidade de vida, financeiramente não existiu nenhuma melhoria agregada, nenhuma mais valia. Quem me conhece sabe que tenho tudo certinho em ficheiro Excel, e nesta fase os números são animadores pois reduziu-se na despesa, o que é excelente!

Espiritualmente, o ano foi evoluindo em crescendo de confiança e em auto-estima, a todos os níveis mensuráveis as melhoras são notórias… sinto-as. Também desde 2005 que trabalho/penso no sentido de me melhorar, basicamente evoluir ao nível do processamento mental, aliviar a pressão, deixar fluir. A minha família, nomeadamente a minha mulher e a minha filha, são pedras basilares no meu bem estar, estão lindas e são as mulheres da minha vida. Este ano foi também repleto na aquisição de novas amizades, algumas importantes e de valor acrescido, por outro lado existiram alguns afastamentos. Agradeço a todos, aos mais recentes e aos que, por este ou aquele motivo se afastaram mais, são todos importantes e fazem parte da minha vida.

Fica aqui o meu relatório anual, parecendo-me positivo, e desejo a todos Feliz Natal e Bom Ano 2010.

Joaquim Costa

segunda-feira, dezembro 14, 2009

O que define a felicidade? (Parte II)


No passado fim de semana recebi o seguinte comentário ao post “O que define a felicidade?” que escrevi em 05 de Maio de 2008:

Bruno disse...

Meu amigo, eu tenho 14 anos moro com minha mãe e meu padrasto tenho uma casa grande, video-game, internet, poucos amigos mas em certos momentos eu fico feliz esses momentos sao quando estou com meus amigos. Em minha casa eu nao sinto uma gota de felicidade, eu sintia muito tédio mas agora eu sinto é tristeza. Minha mãe quer me por em um internato, eu estou louco para ir lá por que aqui eu não tenho nada a fazer e com quem a conversar. Acho que indo para lá ficarei mais feliz. Bom isso nao foi um comentário mas sim um grande desabafo para mim muito obrigado!

Hoje, 14 de Dezembro de 2009 respondi-lhe o seguinte:

O último comentário, ou melhor, o desabafo do Bruno deixou-me muito comovido. Não esperava hoje chegar aqui e ouvir estas palavras de um rapaz de 14 anos. São palavras muito sentidas, denotam um sofrimento silencioso (penso) e ditas com grande sentido de maturidade. Tenho uma filha que fez recentemente 7 anos, sei que não sou um pai perfeito mas sinto que lhe dou amor e carinho. Lamento a sua situação mas a vida por vezes surpreende-nos. Quem sabe um destes dia volta aqui e tudo mudou? Para melhor? Faço votos para que isso aconteça! Abraço e boa sorte...

Passou um ano e meio após publicar o meu post, muita coisa mudou desde essa data, quer na minha pessoa, que em todo o mundo. No meu caso pessoal posso afirmar, porque o sinto, que estou bem melhor comigo e com o mundo. O tempo, ou o passar do tempo, é o melhor curandeiro. Hoje para mim a felicidade poderá continuar a ser uma equação da vida, no entanto certas variáveis começam a deixar de fazer sentido. Como diz o Bruno, por muito que se eleve uma variável, por exemplo de bens materiais, o resultado final será sempre inferior ao que na realidade pretendemos. Ele responde, e certamente gostaria, que se elevasse um pouquinho só uma variável sentimental, como o amor por exemplo, para já se obter um resultado satisfatório.

A minha resposta ao Bruno foi o que desejei no momento, que todos estes cenários já tivessem acabado. Não me surpreendeu, infelizmente sabemos que existem muitas crianças, adolescentes e também muita gente adulta que não recebe amor. È trágico, mas cada vez mais uma certeza que o ser humano carece de amor, estando o mesmo a ser substituído por outros “adereços”. Não se chegou aqui, a este ponto, de forma inocente. Mas não é aqui e agora que irei falar sobre isso…

Dedico este post a um rapaz de 14 anos, ao Bruno, a quem apenas posso escrever e a quem digo que existe muito amor no mundo, para dar e receber. Se em tua casa não existe essa relação, quem sabe no internato não encontras a felicidade? Não percas o amor que tens dentro de ti, nem percas o amor pelo mundo. Um dia terás a oportunidade de ser pai, podes dar aos teus filhos todo esse amor que tens guardado dentro de ti. Podes também começar já a dar amor ao mundo, acredita que não estás sozinho e à tua volta alguém pode também precisar de ti.

Deixo-te estas palavras de esperança, deixo-te também um abraço (), com amor e amizade, fecha os olhos e sente-o.

Convido a todos os que por aqui passem a deixar uma mensagem ao Bruno,

Com amor por favor,

terça-feira, novembro 24, 2009

A Justiça no fio da navalha


Ontem, 23 de Novembro de 2009, assisti ao programa televisivo Prós e Contras. O debate tinha como tema base o actual estado da justiça em Portugal, como bem demonstra o titulo do programa. Foi apresentado pela jornalista Fátima Campos Ferreira, e ontem fiquei particularmente satisfeito com a sua abordagem e moderação. Ontem foi bastante profissional, dirigiu bem as intervenções e focalizou a sua intenção na percepção do debate para o público em geral. Apenas lamento a janela horária em que o mesmo foi transmitido, infelizmente já nos habituámos à colocação destes programas fora do pico máximo de share televisivo. A mensagem passa, o objectivo é cumprido, mas a grande maioria dos portugueses fica isenta dos mesmos. Só fica acordado até esta hora quem se preocupa mesmo com o actual estado do nosso pais. O painel de convidados era composto por:

Ricardo Cardoso, Juiz Desembargador
Paulo Pinto de Albuquerque, Professor de Direito Penal
Germano Marques da Silva, Professor de Direito Penal
Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados

Como sabem, aproveito sempre um tema que me interessa e sobre o qual pretendo dar a minha opinião, vamos lá então…
Penso que não vale a pena enumerar os factos, eles estão presentes a toda a hora nos meios de comunicação social. Naturalmente, e tal como tinha previsto em comentários anteriores neste blog, a espaços um novo caso surge na praça dos média. O focus actual recai no processo, supostamente em fase de investigação e segredo de justiça, Face Oculta. Como também vem sendo hábito, ou começa a ser habitual, elementos da nossa classe politica encontram-se envolvidos na polémica. Não posso deixar de afirmar, é um facto, que o actual Primeiro Ministro José Sócrates está associado praticamente a todas estas questões. Também é verdade que a informação que circula pelos órgãos de comunicação social não tem qualquer credibilidade, ainda assim dá que pensar não?
Penso que a Justiça não anda no fio da navalha, virou mesmo um espectáculo circense em que a principal finalidade passa por desviar “as atenções”. Como em tudo na vida teremos de ir à base da questão, ao sector primário e consequentemente à matéria prima da questão. Vou tentar ser o mais sucinto e explicito possível nesta linha de pensamento.

A base da questão entendo ser o ponto de partida para as ingerências no seio da Justiça, nomeadamente o envolvimento de altas figuras do estado e do meio politico partidário em processos graves, polémicos e bastante mediáticos. Considero que o Processo Casa Pia foi o elemento inflamável para a rotura de uma relação, até aqui isenta e independente, entre os meios de justiça e o poder politico. No fundo, a dita classe até aqui intocável, estava agora à mercê da justiça onde membros notáveis se viam envolvidos em processos judiciais. Ora, como em qualquer outra classe, não sendo um exclusivo da classe politica, e pelo seu fundamento agregador e protector, defendeu-se ou tratou de se defender, a si mesma e aos seus, causando para já toda esta azafama em torno do mundo judicial. A promiscuidade começou logo pela urgente alteração das leis em vigor, executada em tempo recorde e aprovada na Assembleia da República. Por quem não interessa, o facto é que o parlamento fica assim associado a esta “conveniente” alteração de leis, onde acho que não será necessário apelar a um forte sentido estratégico para entender qual o “target“ escolhido. Este acto, principalmente este, considero-o uma declaração de guerra do poder politico endereçado ao meios da Justiça. Como em qualquer outra intenção de guerra, o principal objectivo politico passou pela tentativa de partir a espinha às magistraturas.

O sector primário, se me for permitido usar esta analogia, serão os cargos chave na nossa estrutura judicial. A figura do Procurador Geral da República e do presidente do Supremo Tribunal de Justiça são peças fundamentais em toda a estrutura, a primeira é preenchida com elemento indicado, ou recomendado, por órgãos políticos do governo vigente, já no caso da segunda a eleição é efectuada internamente, onde a componente politica já se encontra fortemente enraizada. Por este ponto não penso ser necessário enveredar muito, é básico no campo da gestão de recursos humanos rodearmo-nos de pessoas da nossa confiança. Já no campo da gestão o retorno esperado a estas pessoas é a fidelidade e até alguma gratidão, debitada claro está no exercício das suas funções. Mais palavras para quê?

Agora a matéria prima. Ela está presente e é visível todos os dias, está a ao dispor de qualquer um em tudo o que são noticias, crónicas ou debates, como o de ontem. Já o disse anteriormente e repito, a informação que por ai circula vale o que vale. Tudo passa agora pela violação, ou não, do segredo de justiça. Tudo, e ao mesmo tempo nada se sabe sobre tudo o que se diz ou é divulgado. Por entre ataques e defesas, tudo à luz do dia, na praça pública, de intervenientes em processos, de políticos e de magistrados, reina a confusão total. Cada cabeça sua interpretação da lei, tudo como ontem se viu, entre grandes amigos com grande amizades. O pior, a meu ver, é que a questão é mesmo grave, chegámos ao ponto em que, por entre muitos crimes que por ai se enumeram, se põe em dúvida e existe mesmo a possibilidade de ter existido um crime contra o estado de direito. Afinal o que se passa?

É tudo uma grande cabala contra elementos do governo?
Será espionagem politica?
Será tudo uma grande mentira?
Ninguém se entende?
No fundo ninguém acaba a defender a sua honra?
Não se conhece entrada de processos por calunia e difamação?
Passa tudo simplesmente por uma questão de share?

Muito mais haveria para dizer mas para terminar penso que a táctica é por demais evidente, dividir para reinar. A actual anarquia a que se assiste vai desviando a atenção dos portugueses, existem outros problemas bem mais importantes para resolver, mas é um facto que este problema da Justiça é gravíssimo. No meu caso particular, tenho total confiança nos magistrados judiciais e na sua competência no cumprimento das suas funções, a aplicação da lei. Agora uma coisa é certa, o termo democracia anda pelas ruas da amargura. Assim anda este nosso Portugal.

Vale-nos a qualificação para o Mundial de Futebol 2010 na África do Sul (risos).

sexta-feira, outubro 30, 2009

Relatividade


Como sabem tenho, aqui, deixado algumas opiniões sobre muitos temas que afectam a nossa vida. Tudo muito sério onde, a espaços, tento sempre colocar uma pitadinha de comédia. Também partilho um pouco da ideia que temos de levar a vida a brincar, desde e sempre q.b. Recebi recentemente um e-mail com uma situação possível, uma demonstração que na nossa vida tudo é muito relativo. A imagem (ao lado) também foi escolhida com algum rigor, propositadamente quero questionar se o senhor (doutor?) estará a consultar a paciente, ou será qualquer outra situação? Bem espero pela(s) vossa(s) resposta(s). Eu tenho uma pequena ideia do que possa ser, aliás é muito sugestivo e pode levar a enganos. Para ajudar o raciocinio junto a história que me levou a esta mensagem. Ora reparem na situação:

Ao fim da tarde, um ginecologista aguarda a sua última paciente, que não chega.
Depois de 30 minutos de espera, ele supõe que esta já não virá e resolve tomar um gin tónico para relaxar antes de voltar para casa.
Instala-se confortavelmente numa poltrona e começa a ler o jornal quando toca a campainha.
É a paciente que chega toda esbaforida e a pedir desculpas pelo atraso.
- Não tem importância - responde o médico.
Olhe, eu estava a beber um gin tónico enquanto a esperava. Quer um também para relaxar um pouco?
- Aceito com prazer - responde a paciente aliviada.
Ele serve-lhe um copo, senta-se na sua frente e começam a conversar sobre banalidades.
De repente ouve-se um barulho de chave na porta do consultório. O médico tem um sobressalto, levanta-se bruscamente e diz:
- A minha mulher! Rápido, tire a roupa e abra as pernas!

Fantástico…

quarta-feira, agosto 05, 2009

O novo estatuto de "Arguido"


Estava eu a precisar de um tema para escrever e hoje surgiu a tal luzinha, uma vez mais após um noticiário da TV. Começo então por dizer que neste nosso querido pais de brincar que se chama Portugal, onde há muito tempo atrás um notável senhor da história disse que não se governa nem se deixa governar, surgiu uma nova moda. Seria errado continuar sem alertar que esta nova moda não é uma novidade pela prática mas sim pela localização. A mesma já vem “embelezando” alguns continentes, onde assentam destacados os designados países do terceiro mundo, nomeadamente o africano e sul americano. O grande feito e fabuloso passo de importação modista, esse sim, pertence-nos, aos portugueses, pela mão da nossa habitual e criativa classe política. Conseguimos então, em democracia, livremente e ainda por cima num pais que pertence à União Europeia, criar por excelência o estatuto de “arguido”. Ora vejamos:

1. Segundo consulta a Wikipédia, a enciclopédia livre, no direito português, uma pessoa é constituída como arguida, um termo jurídico que não existe em muitas outras jurisdições no estrangeiro, quando recaem sobre si indícios de ter cometido um delito.

2. Continuando a consulta na Wikipédia, uma pessoa poder solicitar ser "arguida" porque beneficia de direitos que não tem como testemunha. Além da obrigatoriedade de ser acompanhado por um advogado nas suas declarações ante a autoridade policial, o que não sucede com as testemunhas, um arguido tem direito a não se pronunciar, negando-se a responder a perguntas já que com potencial suspeito age em sua própria defesa, e como testemunha estaria obrigado a responder a todas as perguntas.

Parece que pela aplicação da Lei o estatuto já não é assim tão mau, beneficia mesmo de direitos que não se têm enquanto testemunha de determinado processo judicial. Mas sejamos sinceros, sempre vivemos com isto assim e desta forma no universo da justiça, não é pois nenhuma novidade e também nunca ninguém se preocupou com isso. A grande novidade, que até já é não assim tão grande mas ainda assim muito recente, passa pela atribuição da condição de excelência por se ter estatuto de “arguido”, passando o mesmo não só a ser normal como a receber notoriedade social, bem como passou a ser requisito essencial em qualquer curriculum vitae. A palavra em si foi banalizada e deixou de ser motivo de vergonha, se é verdade que existe a suspeita, também é verdade que não foi ainda provada. Alguns e bem recentes casos de justiça, bem como outros já com uns anos, sendo todos eles bastante polémicos mas principalmente “bastante” mediáticos, levaram necessariamente os intervenientes, que foram constituídos como arguidos, a dar a volta ao texto. A vergonha deu lugar ao estatuto, a suspeição deu lugar à calunia gratuita, os média passaram a ter a tão e sempre desejada matéria prima noticiosa, moldando-a a seu belo prazer e sempre indexada ao “share”, ou seja, criou-se e gerou-se um “mercado” bastante lucrativo.

Curioso comparar a nossa elite política, entre outros que não são políticos mas ainda assim serão socialmente notáveis, com a de outros países na União Europeia. Se na maioria dos restantes países europeus, onde nem sequer nas suas jurisdições não existe o termo “arguido”, quando sobre determinada pessoa recaem indícios de ter cometido um delito a mesma automaticamente se afasta, ou é afastada. Em Portugal passou a ser factor ou requisito essencial para permanência reforçada em funções. Reparemos que até passou a ser condição essencial para elaboração de listas de concorrência a cargos políticos, bem como outros importantes cargos que por ai existem.

Estão a tentar, a espaços, politizar a magistratura judicial e o ministério público em Portugal, que “ainda” são órgãos de soberania. A céu aberto, a moda “arguido” segue imponente e alastra a seu belo prazer por este pais democrático mas sem vergonha. O povo, sempre o povo, sempre ignorante e apaixonado, vai-se deixando levar democraticamente por este dilúvio a aplaude efusivamente os actores em cena.

Eu também sou português, não sou nem nunca fui constituído “arguido” em qualquer processo judicial, nem tão pouco pretendo vir a ser. Se algum dia me acontecer posso afirmar, de acordo com a educação que tive, que irei afastar-me do meu meio e actuar discretamente pois vou ter vergonha… mesmo sabendo-me inocente.

É tudo uma questão de “postura”, uns têm-na... outros não.

quarta-feira, julho 15, 2009

Será o trabalho uma pandemia?


Um dos temas correntes e que marca a actualidade chama-se gripe mexicana, gripe A ou tecnicamente falando, uma nova estirpe do vírus H1N1. A situação actual tem vindo a evoluir negativamente, levando mesmo a Organização Mundial de Saúde (OMS) a elevar para o nível 5 o alerta de pandemia. O nível 5 indica sinal forte de que uma pandemia está iminente, neste caso a ignorância ou a simples falta de informação pode-se traduzir em desgraça, nomeadamente danos para a raça humana a nível mundial.

Nada de novo, nada que quem minimamente se encontre informado não saiba, no entanto não foi essa a razão pela qual mais uma vez decidi publicar um texto. Apenas outra analogia me levou á escrita, a qual não pretendo que seja de mau gosto ou encarada de qualquer outra forma pela qual não vale. Voltando á gripe, sempre que o tema vem a lume, em conversa de rua ou nos média, a palavra “trabalho”, de trabalhar, surge no meu pensamento, dai a analogia. Costumo dizer que sempre, ou quase sempre desde a sua existência, a raça humana sofre de uma pandemia constante e que a afecta diariamente. Esta doença, tal como a gripe A, não afecta a totalidade da população e como sempre existem excepções. Já devem ter percebido que falo do “trabalho”, de trabalhar.

Esta doença vem acompanhando a raça humana desde a socialização da mesma e, tal e qual as gripes, também existem várias estirpes da doença. Existem também, penso que sendo raras excepções e ao contrário da gripe, alguns seres humanos gostam de estar doentes á qual se designa como estirpe workalholic. No entanto esta estirpe tende sempre a auto extinguir-se e não é motivo de qualquer preocupação adicional. Preocupante neste caso é que muitos seres humanos, a quem interessa, insistem em tentar pegar esta estirpe á população em geral. Ainda assim e por enquanto o ser humano ainda é auto suficiente na sua defesa nomeadamente em relação a esta estirpe.

Ao longo dos tempos alguns seres humanos, não satisfeitos pelo contágio da estirpe por conta de outrem, de certa forma para tentar amenizar o seu sofrimento, impingiram deliberadamente esta estirpe de forma encapotada e pela força arrastaram o contágio a outras raças animais. Ao contrário do ser humano as outras raças não têm direito a queixar-se e não se lhes conhece qualquer hipótese de cura. Ao invés, o ser humano pode sempre optar por outra estirpe sabendo de antemão, ou podendo calcular, quais serão os efeitos secundários a sofrer. Não existe penso, ou não se conhece na comunidade cientifica, qualquer estudo ou investigação a decorrer para criar uma vacina que cure esta estirpe, a qual é responsável pela quase totalidade de infecção da raça humana.

Poderia falar de muitas outras estirpes, acho no entanto que apenas vou referir mais uma, para a qual existem variadíssimas designações mas os sintomas são por norma os mesmos. As estirpes calão, burlão, de expedientes, ladrão, chupista, engraxador, alguns tipos de funcionários públicos, gestores, governantes, entre tantos outros exemplos, com as quais poucos seres humanos se encontram infectados mas que tanto afectam os restantes seres na sua generalidade. O principal problema desta estirpe é que os efeitos secundários são sempre impingidos a terceiros, geralmente aos que sofrem da estirpe por conta de outrem. Mas também neste caso não existe qualquer tentativa conhecida de se lhe conceber uma cura, muito também pela inexistência de queixa ou sofrimento dos infectados.

Agora, falando seriamente, o “trabalho” pode-se qualificar uma verdadeira pandemia dado que afecta a maioria da população mundial. Seja pelas designações acima descritas em tom de brincadeira, seja pela realidade dura e crua de quem trabalha. Deveríamos como raça humana e estando já no século XXI começar a olhar para esta realidade muito a sério. Questões como a qualificação, segurança, liberdade, competência, apetência, distancia, de entre tantos outros pontos de estudo sobre o trabalho, poderiam evitar toda uma série de efeitos secundários ao ser humano e para a qual esta nossa sociedade teima em fechar os olhos. Palavras como o stress, depressão, deficiente por acidente de trabalho, cancro devido ao trabalho, entre outros tantos males poderiam ser evitados e sem necessidade de recorrer a qualquer vacina. A raça humana necessita deste contágio geral para viver em sociedade, em todas as suas vertentes e com todas as suas estirpes, mas tal como a gripe deveríamos tentar e começar a tornear os efeitos que causam sofrimento crónico e vitalício para a maioria dos seres humanos.

Esta reflexão vale o que vale, trato apenas de partilhar mais um pensamento onde espero levar as pessoas a reflectir sobre a mensagem que tento aqui transmitir.

terça-feira, junho 09, 2009

Ocupação.


Dizem que não fazer nada e andar sem pressão é que é bom. A pergunta que fica no ar será, é verdade? Pela experiência que tenho não fazer nada e andar sem pressão é que é mau. Ao nível do processamento humano, presumindo o mesmo á minha imagem, quem não processa algo de útil, não está ocupado, irá começar a ocupar o tempo com outras funções.

A falta de ocupação cerebral leva a mente humana a criá-la, e se para uns dá-lhes para a utilidade, outros já se debatem com problemas sérios. A mera criação ou invenção, sejam ideias ou artefactos, levando muitos ao reconhecimento geral, considero-os como uma ocupação de escape útil, quer para o próprio, quer para os que o rodeiam, ou mesmo para a humanidade. Quantas soluções para tantos problemas foram assim resolvidos? Investigação de doenças, moleculares, sociais, filosóficas, entre tantas outras. Tudo porque alguém com tempo decidiu aplicar-se a uma ocupação cerebral útil, a si e aos outros por consequência.

Existe depois a outra face da moeda, a ocupação com a auto-destruição, cenários antecipados e deturpados da realidade, como que um complexo narcisista inverso. Nestes casos, a falta de ocupação cerebral dá azo ao pior que uma pessoa tem, tempo para pensar em si mesma. Sou inútil, gordo, faço tudo mal, mais isto e aquilo mal, e mais isto, e por ai fora. Entra-se numa sequência negativa em que nada se cria e tudo transforma, para pior claro. A auto avaliação não é para todos, geralmente não é saudável e leva a algo que esteja mal ficar ainda pior. Não fazer nada, em que para mim dou como exemplo trabalhar, e mesmo assim andar sem pressão, por exemplo a preocupação com a profissão ou ocupação, não é nada bom.

Segundo a minha própria experiência, andar sempre ocupado e sob pressão é uma maravilha. Não termos sequer tempo de pensar no que não interessa para nada, em que até nem queremos pensar nisso tão pouco, é um escape perfeito para uma cura. Admiro quem chega á cama e dorme logo, e se para uns é algo natural, outros apenas o conseguem de tão cansados estarem. Mas o certo é que dormem, uns e outros.

Muitas vezes dizem que o descanso é a cura para muitos males, nada é mais errado!

segunda-feira, maio 18, 2009

Lanzeira.


De vez em quando preciso de uma pausa no trabalho. Tem dias em que essas pausas não me chegam. Hoje é um desses dias. Estou a produzir, mas desejava que pudesse ter uma pausa, daquelas valentes. Daquelas em que fechamos os olhos e dormimos, descansamos, não fazemos nada de nada, apenas estamos. Além disso é segunda-feira, quem não sabe o que são? Sempre terríveis e custam a passar como o raio. O fim de semana, para variar, deixou as suas marcas. Volto a dizer que os trabalhos caseiros cansam mais. A malta queixa-se que trabalhar é do pior, eu não acho, por vezes é bem mais suave e mais calmo. Também depende do trabalho eu sei, mas cada um tem aquilo que merece, é o que dizem por ai. Agora trabalho por gosto e gosto do meu trabalho, infelizmente não é assim para toda a gente, paciência. Eu bem sei o que é ir trabalhar por trabalhar, é bem pior e nem as pausas se aproveitam, é sempre mau. Quem está mal muda-se e eu fiz por mudar, acho que mudei bem e tenho de trabalhar para ficar melhor. Eu ainda penso assim, só lá vou com trabalho, o jogo, esse, não quer nada comigo, nem o Benfica se aproveita. Vá. Vou voltar a trabalhar porque por vezes as coisas complicam-se, geralmente sem aviso prévio e a doer. Foi apenas uma pausa, passaram uns minutos, escreveram-se umas palavras…

quarta-feira, abril 22, 2009

Shutdown.


Hoje fico por aqui, já tenho a vista cansada e a vontade também já se foi embora. É assim o dia-a-dia, mas hoje foram muitas horas ligado ao brilhante ecrán do portátil. Tenho vontade de ir para casa, jantar e relaxar um pouco… se me deixarem. Se fosse já possível eu “teleportar-me” para casa seria perfeito, mas ainda não é. Também não me apetece ir brincar ás formiguinhas no metro, por vezes irrita-me. Hoje vai irritar-me de certeza, o habitual mar de gente que também deve estar como eu. A troca de linha a meio caminho também me cansa, faço-o sempre pois não tenho alternativa. O barco já é melhor, isto se houver um lugarzinho para mim, isolado de preferência. Costumo ler, mas hoje acho que vou fechar os olhos um pouco e descansar. O longo e sempre ventoso caminho a atravessar o terminal também me cansa. Tem dias que a felicidade de encontrar o meu rebento contrasta com a pouca vontade de o ouvir. Ela não tem culpa, eu também não, mas a vida é mesmo assim… uma dureza pegada e suada. Tem dias em que ainda tenho de trabalhar mais um pouco, tratar da janta, da casa, da rega, etc. Foi, é, e será assim a vida de muitas pessoas como eu… há quem esteja bem pior. Já fechei os ficheiros excel, o Notepad, a ligação SSH ao Servidor, o sFTP Filezilla, o PHP Editor. Agora vou publicar isto, de seguida fecho o browser do meu blog, o Outlook e… shutdown!

terça-feira, março 24, 2009

Aniversário.


Isso mesmo… já lá vão 38 anos, aninhos, primaveras, etc. Começa a despedida aos intas e a chegada aos entas. Entre outras tantas coisas associadas a este dia especial, em que o próprio reflecte as diferenças da idade, nesta fase começa-se a pensar no que já foi e no que será a partir daqui. A habitual festa mantém-se, no entanto mais ténue e mais suave… sem exageros. Falando no meu caso pessoal, já com família formada, mulher e filha, a responsabilidade aumenta e os pensamentos já não são sonhadores mas sim realistas. Sinceramente penso estar um pouco a meio da minha vida terrena, supondo que poderá existir a continuação do meu “EU” espiritual. Não estou triste, nem sequer melancólico, tão pouco a ficar lamechas, apenas reconheço que os anos passam e já começo a dar conta disso. Já não me sinto um jovem, sei que já não sou jovem, já não me tratam como jovem, mas sinto-me bem. O amadurecimento e o conhecimento adquiridos compensam algumas variantes já em fase descendente, afinal a vida é um binómio entre o físico e a alma. Alguns sonhos, vontades e exageros começam lentamente a trocar posições com algumas realidades, sacrifícios e acomodações… não o posso negar. Ainda não sinto nos ossos as manias do tempo, nem consigo decifrar se chove por um simples olhar do céu ou dos pássaros. Reconheço que começo a admirar o silêncio e a barulheira já não me é indiferente. Sempre adorei o meu sofá, mas esse amor está a aumentar exponencialmente. Começa a preocupar-me não fazer desporto, não alimentar-me de forma saudável, fumar meio maço de tabaco por dia. Penso no futuro e isso é inevitável, no fundo quero como toda a gente, ter boa qualidade de vida, sem sofrimentos físicos ou outros. Mas a minha norma é deixar fluir e ir vivendo, dia após dia, batalha após batalha, lutar sempre pelo melhor para mim e para os que me rodeiam.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Irmandade dos Chocalhos


Vinha eu hoje a caminho do trabalho ouvindo a rádio do costume, a TSF. Sabem como é, as notícias, o trânsito… o costume. Pelo meio das notícias foi referido um simpático idoso alentejano, o senhor Penetra, que colecciona “chocalhos”. Foi curioso ouvir o senhor a explicar o uso dos ditos, a sua verdadeira utilidade, a sua real função. Deu como exemplo uma vaca gulosa, os sarilhos e os estragos que as mesmas podem provocar. Também referenciou que cada chocalho tem o seu som, reconhecendo o pastor que animal está em actividade. Admito que esta informação é básica, não é preciso ter q.i. acima da média para saber, ou suspeitar, que um chocalho apenas teria esta função… denunciar!

Chegámos ao ponto em que também admito que me perguntem, ou se questionem, onde quero chegar com isto. Como sempre irei satisfazer a vossa curiosidade e partilhar uma ideia que tive, daquelas com lâmpada na cabeça e tudo mais.

Ora os chocalhos estão em extinção, arrastando consigo uma antiga tradição, bem como o desaparecimento de verdadeiros artesãos e um pouco da história do pastoreio. Não é coisa que me preocupe admito, tal como não deve ser para as vacas e seus parentes, mas não me é indiferente quando me lembram destas coisas da tradição. Não partilho da ideia nem fui afectado com o vírus “o que não é nacional é bom”, aliás como sou do contra sempre pensei de forma contrária, tendo mentindo por vezes para não ficar mal na fita. Mais uma vez lembro que o mal deste pais está dentro dele, poderá chamar-se falta de amor próprio, de auto confiança, bla bla, etc. Como cidadão sempre preocupado e empreendedor tratei de achar uma solução para a reutilização dos chocalhos. Segundo cálculos do senhor Penetra, só na sua colecção pessoal deverá ter cerca de 6000 destes objectos. Mas perguntam vocês… onde é que isto vai dar? Qual é afinal a ideia? Como e de que forma iremos reutilizar isto? Muito simples!

Para quem tem um pouco de atenção e preocupa-se em andar informado, quer seja com a habitual e sempre noticiada guerra na Faixa de Gaza, quer seja com os escândalos, casos de justiça, CR9 ou entre outras tantas polémicas e mediáticos acidentes de viação que ocorrem no nosso modesto pais, foi neste último que achei uma nova utilidade para os ditos… os chocalhos. Certamente não pensaram que iria tentar negociar alguma possibilidade de uso dos chocalhos para as comunidades isrealitas ou palestiniana, a não ser que um chocalho colocado em cada elemento militar isrealita, bem como um em cada “terrorista“ do hammas, tornariam o relato da guerra bem mais detalhado, além de permitir live show onde facilmente iríamos identificar os intervenientes. Mas não… os ditos ficam mesmo por cá!

Porque não propor a discussão na Assembleia da República ao uso de um chocalho por cada um dos ministros e deputados que por lá estão? Melhor ainda, se a proposta fosse aceite e se tornasse um sucesso, poderíamos estender o seu uso aos grandes administradores públicos e da banca, bem como a outros gestores de topo espalhados por aqui e ali. Assim saberíamos sempre e identificávamos onde andavam em actividade… tal como as vacas gulosas.