terça-feira, novembro 24, 2009

A Justiça no fio da navalha


Ontem, 23 de Novembro de 2009, assisti ao programa televisivo Prós e Contras. O debate tinha como tema base o actual estado da justiça em Portugal, como bem demonstra o titulo do programa. Foi apresentado pela jornalista Fátima Campos Ferreira, e ontem fiquei particularmente satisfeito com a sua abordagem e moderação. Ontem foi bastante profissional, dirigiu bem as intervenções e focalizou a sua intenção na percepção do debate para o público em geral. Apenas lamento a janela horária em que o mesmo foi transmitido, infelizmente já nos habituámos à colocação destes programas fora do pico máximo de share televisivo. A mensagem passa, o objectivo é cumprido, mas a grande maioria dos portugueses fica isenta dos mesmos. Só fica acordado até esta hora quem se preocupa mesmo com o actual estado do nosso pais. O painel de convidados era composto por:

Ricardo Cardoso, Juiz Desembargador
Paulo Pinto de Albuquerque, Professor de Direito Penal
Germano Marques da Silva, Professor de Direito Penal
Marinho Pinto, Bastonário da Ordem dos Advogados

Como sabem, aproveito sempre um tema que me interessa e sobre o qual pretendo dar a minha opinião, vamos lá então…
Penso que não vale a pena enumerar os factos, eles estão presentes a toda a hora nos meios de comunicação social. Naturalmente, e tal como tinha previsto em comentários anteriores neste blog, a espaços um novo caso surge na praça dos média. O focus actual recai no processo, supostamente em fase de investigação e segredo de justiça, Face Oculta. Como também vem sendo hábito, ou começa a ser habitual, elementos da nossa classe politica encontram-se envolvidos na polémica. Não posso deixar de afirmar, é um facto, que o actual Primeiro Ministro José Sócrates está associado praticamente a todas estas questões. Também é verdade que a informação que circula pelos órgãos de comunicação social não tem qualquer credibilidade, ainda assim dá que pensar não?
Penso que a Justiça não anda no fio da navalha, virou mesmo um espectáculo circense em que a principal finalidade passa por desviar “as atenções”. Como em tudo na vida teremos de ir à base da questão, ao sector primário e consequentemente à matéria prima da questão. Vou tentar ser o mais sucinto e explicito possível nesta linha de pensamento.

A base da questão entendo ser o ponto de partida para as ingerências no seio da Justiça, nomeadamente o envolvimento de altas figuras do estado e do meio politico partidário em processos graves, polémicos e bastante mediáticos. Considero que o Processo Casa Pia foi o elemento inflamável para a rotura de uma relação, até aqui isenta e independente, entre os meios de justiça e o poder politico. No fundo, a dita classe até aqui intocável, estava agora à mercê da justiça onde membros notáveis se viam envolvidos em processos judiciais. Ora, como em qualquer outra classe, não sendo um exclusivo da classe politica, e pelo seu fundamento agregador e protector, defendeu-se ou tratou de se defender, a si mesma e aos seus, causando para já toda esta azafama em torno do mundo judicial. A promiscuidade começou logo pela urgente alteração das leis em vigor, executada em tempo recorde e aprovada na Assembleia da República. Por quem não interessa, o facto é que o parlamento fica assim associado a esta “conveniente” alteração de leis, onde acho que não será necessário apelar a um forte sentido estratégico para entender qual o “target“ escolhido. Este acto, principalmente este, considero-o uma declaração de guerra do poder politico endereçado ao meios da Justiça. Como em qualquer outra intenção de guerra, o principal objectivo politico passou pela tentativa de partir a espinha às magistraturas.

O sector primário, se me for permitido usar esta analogia, serão os cargos chave na nossa estrutura judicial. A figura do Procurador Geral da República e do presidente do Supremo Tribunal de Justiça são peças fundamentais em toda a estrutura, a primeira é preenchida com elemento indicado, ou recomendado, por órgãos políticos do governo vigente, já no caso da segunda a eleição é efectuada internamente, onde a componente politica já se encontra fortemente enraizada. Por este ponto não penso ser necessário enveredar muito, é básico no campo da gestão de recursos humanos rodearmo-nos de pessoas da nossa confiança. Já no campo da gestão o retorno esperado a estas pessoas é a fidelidade e até alguma gratidão, debitada claro está no exercício das suas funções. Mais palavras para quê?

Agora a matéria prima. Ela está presente e é visível todos os dias, está a ao dispor de qualquer um em tudo o que são noticias, crónicas ou debates, como o de ontem. Já o disse anteriormente e repito, a informação que por ai circula vale o que vale. Tudo passa agora pela violação, ou não, do segredo de justiça. Tudo, e ao mesmo tempo nada se sabe sobre tudo o que se diz ou é divulgado. Por entre ataques e defesas, tudo à luz do dia, na praça pública, de intervenientes em processos, de políticos e de magistrados, reina a confusão total. Cada cabeça sua interpretação da lei, tudo como ontem se viu, entre grandes amigos com grande amizades. O pior, a meu ver, é que a questão é mesmo grave, chegámos ao ponto em que, por entre muitos crimes que por ai se enumeram, se põe em dúvida e existe mesmo a possibilidade de ter existido um crime contra o estado de direito. Afinal o que se passa?

É tudo uma grande cabala contra elementos do governo?
Será espionagem politica?
Será tudo uma grande mentira?
Ninguém se entende?
No fundo ninguém acaba a defender a sua honra?
Não se conhece entrada de processos por calunia e difamação?
Passa tudo simplesmente por uma questão de share?

Muito mais haveria para dizer mas para terminar penso que a táctica é por demais evidente, dividir para reinar. A actual anarquia a que se assiste vai desviando a atenção dos portugueses, existem outros problemas bem mais importantes para resolver, mas é um facto que este problema da Justiça é gravíssimo. No meu caso particular, tenho total confiança nos magistrados judiciais e na sua competência no cumprimento das suas funções, a aplicação da lei. Agora uma coisa é certa, o termo democracia anda pelas ruas da amargura. Assim anda este nosso Portugal.

Vale-nos a qualificação para o Mundial de Futebol 2010 na África do Sul (risos).

sexta-feira, outubro 30, 2009

Relatividade


Como sabem tenho, aqui, deixado algumas opiniões sobre muitos temas que afectam a nossa vida. Tudo muito sério onde, a espaços, tento sempre colocar uma pitadinha de comédia. Também partilho um pouco da ideia que temos de levar a vida a brincar, desde e sempre q.b. Recebi recentemente um e-mail com uma situação possível, uma demonstração que na nossa vida tudo é muito relativo. A imagem (ao lado) também foi escolhida com algum rigor, propositadamente quero questionar se o senhor (doutor?) estará a consultar a paciente, ou será qualquer outra situação? Bem espero pela(s) vossa(s) resposta(s). Eu tenho uma pequena ideia do que possa ser, aliás é muito sugestivo e pode levar a enganos. Para ajudar o raciocinio junto a história que me levou a esta mensagem. Ora reparem na situação:

Ao fim da tarde, um ginecologista aguarda a sua última paciente, que não chega.
Depois de 30 minutos de espera, ele supõe que esta já não virá e resolve tomar um gin tónico para relaxar antes de voltar para casa.
Instala-se confortavelmente numa poltrona e começa a ler o jornal quando toca a campainha.
É a paciente que chega toda esbaforida e a pedir desculpas pelo atraso.
- Não tem importância - responde o médico.
Olhe, eu estava a beber um gin tónico enquanto a esperava. Quer um também para relaxar um pouco?
- Aceito com prazer - responde a paciente aliviada.
Ele serve-lhe um copo, senta-se na sua frente e começam a conversar sobre banalidades.
De repente ouve-se um barulho de chave na porta do consultório. O médico tem um sobressalto, levanta-se bruscamente e diz:
- A minha mulher! Rápido, tire a roupa e abra as pernas!

Fantástico…

quarta-feira, agosto 05, 2009

O novo estatuto de "Arguido"


Estava eu a precisar de um tema para escrever e hoje surgiu a tal luzinha, uma vez mais após um noticiário da TV. Começo então por dizer que neste nosso querido pais de brincar que se chama Portugal, onde há muito tempo atrás um notável senhor da história disse que não se governa nem se deixa governar, surgiu uma nova moda. Seria errado continuar sem alertar que esta nova moda não é uma novidade pela prática mas sim pela localização. A mesma já vem “embelezando” alguns continentes, onde assentam destacados os designados países do terceiro mundo, nomeadamente o africano e sul americano. O grande feito e fabuloso passo de importação modista, esse sim, pertence-nos, aos portugueses, pela mão da nossa habitual e criativa classe política. Conseguimos então, em democracia, livremente e ainda por cima num pais que pertence à União Europeia, criar por excelência o estatuto de “arguido”. Ora vejamos:

1. Segundo consulta a Wikipédia, a enciclopédia livre, no direito português, uma pessoa é constituída como arguida, um termo jurídico que não existe em muitas outras jurisdições no estrangeiro, quando recaem sobre si indícios de ter cometido um delito.

2. Continuando a consulta na Wikipédia, uma pessoa poder solicitar ser "arguida" porque beneficia de direitos que não tem como testemunha. Além da obrigatoriedade de ser acompanhado por um advogado nas suas declarações ante a autoridade policial, o que não sucede com as testemunhas, um arguido tem direito a não se pronunciar, negando-se a responder a perguntas já que com potencial suspeito age em sua própria defesa, e como testemunha estaria obrigado a responder a todas as perguntas.

Parece que pela aplicação da Lei o estatuto já não é assim tão mau, beneficia mesmo de direitos que não se têm enquanto testemunha de determinado processo judicial. Mas sejamos sinceros, sempre vivemos com isto assim e desta forma no universo da justiça, não é pois nenhuma novidade e também nunca ninguém se preocupou com isso. A grande novidade, que até já é não assim tão grande mas ainda assim muito recente, passa pela atribuição da condição de excelência por se ter estatuto de “arguido”, passando o mesmo não só a ser normal como a receber notoriedade social, bem como passou a ser requisito essencial em qualquer curriculum vitae. A palavra em si foi banalizada e deixou de ser motivo de vergonha, se é verdade que existe a suspeita, também é verdade que não foi ainda provada. Alguns e bem recentes casos de justiça, bem como outros já com uns anos, sendo todos eles bastante polémicos mas principalmente “bastante” mediáticos, levaram necessariamente os intervenientes, que foram constituídos como arguidos, a dar a volta ao texto. A vergonha deu lugar ao estatuto, a suspeição deu lugar à calunia gratuita, os média passaram a ter a tão e sempre desejada matéria prima noticiosa, moldando-a a seu belo prazer e sempre indexada ao “share”, ou seja, criou-se e gerou-se um “mercado” bastante lucrativo.

Curioso comparar a nossa elite política, entre outros que não são políticos mas ainda assim serão socialmente notáveis, com a de outros países na União Europeia. Se na maioria dos restantes países europeus, onde nem sequer nas suas jurisdições não existe o termo “arguido”, quando sobre determinada pessoa recaem indícios de ter cometido um delito a mesma automaticamente se afasta, ou é afastada. Em Portugal passou a ser factor ou requisito essencial para permanência reforçada em funções. Reparemos que até passou a ser condição essencial para elaboração de listas de concorrência a cargos políticos, bem como outros importantes cargos que por ai existem.

Estão a tentar, a espaços, politizar a magistratura judicial e o ministério público em Portugal, que “ainda” são órgãos de soberania. A céu aberto, a moda “arguido” segue imponente e alastra a seu belo prazer por este pais democrático mas sem vergonha. O povo, sempre o povo, sempre ignorante e apaixonado, vai-se deixando levar democraticamente por este dilúvio a aplaude efusivamente os actores em cena.

Eu também sou português, não sou nem nunca fui constituído “arguido” em qualquer processo judicial, nem tão pouco pretendo vir a ser. Se algum dia me acontecer posso afirmar, de acordo com a educação que tive, que irei afastar-me do meu meio e actuar discretamente pois vou ter vergonha… mesmo sabendo-me inocente.

É tudo uma questão de “postura”, uns têm-na... outros não.

quarta-feira, julho 15, 2009

Será o trabalho uma pandemia?


Um dos temas correntes e que marca a actualidade chama-se gripe mexicana, gripe A ou tecnicamente falando, uma nova estirpe do vírus H1N1. A situação actual tem vindo a evoluir negativamente, levando mesmo a Organização Mundial de Saúde (OMS) a elevar para o nível 5 o alerta de pandemia. O nível 5 indica sinal forte de que uma pandemia está iminente, neste caso a ignorância ou a simples falta de informação pode-se traduzir em desgraça, nomeadamente danos para a raça humana a nível mundial.

Nada de novo, nada que quem minimamente se encontre informado não saiba, no entanto não foi essa a razão pela qual mais uma vez decidi publicar um texto. Apenas outra analogia me levou á escrita, a qual não pretendo que seja de mau gosto ou encarada de qualquer outra forma pela qual não vale. Voltando á gripe, sempre que o tema vem a lume, em conversa de rua ou nos média, a palavra “trabalho”, de trabalhar, surge no meu pensamento, dai a analogia. Costumo dizer que sempre, ou quase sempre desde a sua existência, a raça humana sofre de uma pandemia constante e que a afecta diariamente. Esta doença, tal como a gripe A, não afecta a totalidade da população e como sempre existem excepções. Já devem ter percebido que falo do “trabalho”, de trabalhar.

Esta doença vem acompanhando a raça humana desde a socialização da mesma e, tal e qual as gripes, também existem várias estirpes da doença. Existem também, penso que sendo raras excepções e ao contrário da gripe, alguns seres humanos gostam de estar doentes á qual se designa como estirpe workalholic. No entanto esta estirpe tende sempre a auto extinguir-se e não é motivo de qualquer preocupação adicional. Preocupante neste caso é que muitos seres humanos, a quem interessa, insistem em tentar pegar esta estirpe á população em geral. Ainda assim e por enquanto o ser humano ainda é auto suficiente na sua defesa nomeadamente em relação a esta estirpe.

Ao longo dos tempos alguns seres humanos, não satisfeitos pelo contágio da estirpe por conta de outrem, de certa forma para tentar amenizar o seu sofrimento, impingiram deliberadamente esta estirpe de forma encapotada e pela força arrastaram o contágio a outras raças animais. Ao contrário do ser humano as outras raças não têm direito a queixar-se e não se lhes conhece qualquer hipótese de cura. Ao invés, o ser humano pode sempre optar por outra estirpe sabendo de antemão, ou podendo calcular, quais serão os efeitos secundários a sofrer. Não existe penso, ou não se conhece na comunidade cientifica, qualquer estudo ou investigação a decorrer para criar uma vacina que cure esta estirpe, a qual é responsável pela quase totalidade de infecção da raça humana.

Poderia falar de muitas outras estirpes, acho no entanto que apenas vou referir mais uma, para a qual existem variadíssimas designações mas os sintomas são por norma os mesmos. As estirpes calão, burlão, de expedientes, ladrão, chupista, engraxador, alguns tipos de funcionários públicos, gestores, governantes, entre tantos outros exemplos, com as quais poucos seres humanos se encontram infectados mas que tanto afectam os restantes seres na sua generalidade. O principal problema desta estirpe é que os efeitos secundários são sempre impingidos a terceiros, geralmente aos que sofrem da estirpe por conta de outrem. Mas também neste caso não existe qualquer tentativa conhecida de se lhe conceber uma cura, muito também pela inexistência de queixa ou sofrimento dos infectados.

Agora, falando seriamente, o “trabalho” pode-se qualificar uma verdadeira pandemia dado que afecta a maioria da população mundial. Seja pelas designações acima descritas em tom de brincadeira, seja pela realidade dura e crua de quem trabalha. Deveríamos como raça humana e estando já no século XXI começar a olhar para esta realidade muito a sério. Questões como a qualificação, segurança, liberdade, competência, apetência, distancia, de entre tantos outros pontos de estudo sobre o trabalho, poderiam evitar toda uma série de efeitos secundários ao ser humano e para a qual esta nossa sociedade teima em fechar os olhos. Palavras como o stress, depressão, deficiente por acidente de trabalho, cancro devido ao trabalho, entre outros tantos males poderiam ser evitados e sem necessidade de recorrer a qualquer vacina. A raça humana necessita deste contágio geral para viver em sociedade, em todas as suas vertentes e com todas as suas estirpes, mas tal como a gripe deveríamos tentar e começar a tornear os efeitos que causam sofrimento crónico e vitalício para a maioria dos seres humanos.

Esta reflexão vale o que vale, trato apenas de partilhar mais um pensamento onde espero levar as pessoas a reflectir sobre a mensagem que tento aqui transmitir.

terça-feira, junho 09, 2009

Ocupação.


Dizem que não fazer nada e andar sem pressão é que é bom. A pergunta que fica no ar será, é verdade? Pela experiência que tenho não fazer nada e andar sem pressão é que é mau. Ao nível do processamento humano, presumindo o mesmo á minha imagem, quem não processa algo de útil, não está ocupado, irá começar a ocupar o tempo com outras funções.

A falta de ocupação cerebral leva a mente humana a criá-la, e se para uns dá-lhes para a utilidade, outros já se debatem com problemas sérios. A mera criação ou invenção, sejam ideias ou artefactos, levando muitos ao reconhecimento geral, considero-os como uma ocupação de escape útil, quer para o próprio, quer para os que o rodeiam, ou mesmo para a humanidade. Quantas soluções para tantos problemas foram assim resolvidos? Investigação de doenças, moleculares, sociais, filosóficas, entre tantas outras. Tudo porque alguém com tempo decidiu aplicar-se a uma ocupação cerebral útil, a si e aos outros por consequência.

Existe depois a outra face da moeda, a ocupação com a auto-destruição, cenários antecipados e deturpados da realidade, como que um complexo narcisista inverso. Nestes casos, a falta de ocupação cerebral dá azo ao pior que uma pessoa tem, tempo para pensar em si mesma. Sou inútil, gordo, faço tudo mal, mais isto e aquilo mal, e mais isto, e por ai fora. Entra-se numa sequência negativa em que nada se cria e tudo transforma, para pior claro. A auto avaliação não é para todos, geralmente não é saudável e leva a algo que esteja mal ficar ainda pior. Não fazer nada, em que para mim dou como exemplo trabalhar, e mesmo assim andar sem pressão, por exemplo a preocupação com a profissão ou ocupação, não é nada bom.

Segundo a minha própria experiência, andar sempre ocupado e sob pressão é uma maravilha. Não termos sequer tempo de pensar no que não interessa para nada, em que até nem queremos pensar nisso tão pouco, é um escape perfeito para uma cura. Admiro quem chega á cama e dorme logo, e se para uns é algo natural, outros apenas o conseguem de tão cansados estarem. Mas o certo é que dormem, uns e outros.

Muitas vezes dizem que o descanso é a cura para muitos males, nada é mais errado!

segunda-feira, maio 18, 2009

Lanzeira.


De vez em quando preciso de uma pausa no trabalho. Tem dias em que essas pausas não me chegam. Hoje é um desses dias. Estou a produzir, mas desejava que pudesse ter uma pausa, daquelas valentes. Daquelas em que fechamos os olhos e dormimos, descansamos, não fazemos nada de nada, apenas estamos. Além disso é segunda-feira, quem não sabe o que são? Sempre terríveis e custam a passar como o raio. O fim de semana, para variar, deixou as suas marcas. Volto a dizer que os trabalhos caseiros cansam mais. A malta queixa-se que trabalhar é do pior, eu não acho, por vezes é bem mais suave e mais calmo. Também depende do trabalho eu sei, mas cada um tem aquilo que merece, é o que dizem por ai. Agora trabalho por gosto e gosto do meu trabalho, infelizmente não é assim para toda a gente, paciência. Eu bem sei o que é ir trabalhar por trabalhar, é bem pior e nem as pausas se aproveitam, é sempre mau. Quem está mal muda-se e eu fiz por mudar, acho que mudei bem e tenho de trabalhar para ficar melhor. Eu ainda penso assim, só lá vou com trabalho, o jogo, esse, não quer nada comigo, nem o Benfica se aproveita. Vá. Vou voltar a trabalhar porque por vezes as coisas complicam-se, geralmente sem aviso prévio e a doer. Foi apenas uma pausa, passaram uns minutos, escreveram-se umas palavras…

quarta-feira, abril 22, 2009

Shutdown.


Hoje fico por aqui, já tenho a vista cansada e a vontade também já se foi embora. É assim o dia-a-dia, mas hoje foram muitas horas ligado ao brilhante ecrán do portátil. Tenho vontade de ir para casa, jantar e relaxar um pouco… se me deixarem. Se fosse já possível eu “teleportar-me” para casa seria perfeito, mas ainda não é. Também não me apetece ir brincar ás formiguinhas no metro, por vezes irrita-me. Hoje vai irritar-me de certeza, o habitual mar de gente que também deve estar como eu. A troca de linha a meio caminho também me cansa, faço-o sempre pois não tenho alternativa. O barco já é melhor, isto se houver um lugarzinho para mim, isolado de preferência. Costumo ler, mas hoje acho que vou fechar os olhos um pouco e descansar. O longo e sempre ventoso caminho a atravessar o terminal também me cansa. Tem dias que a felicidade de encontrar o meu rebento contrasta com a pouca vontade de o ouvir. Ela não tem culpa, eu também não, mas a vida é mesmo assim… uma dureza pegada e suada. Tem dias em que ainda tenho de trabalhar mais um pouco, tratar da janta, da casa, da rega, etc. Foi, é, e será assim a vida de muitas pessoas como eu… há quem esteja bem pior. Já fechei os ficheiros excel, o Notepad, a ligação SSH ao Servidor, o sFTP Filezilla, o PHP Editor. Agora vou publicar isto, de seguida fecho o browser do meu blog, o Outlook e… shutdown!

terça-feira, março 24, 2009

Aniversário.


Isso mesmo… já lá vão 38 anos, aninhos, primaveras, etc. Começa a despedida aos intas e a chegada aos entas. Entre outras tantas coisas associadas a este dia especial, em que o próprio reflecte as diferenças da idade, nesta fase começa-se a pensar no que já foi e no que será a partir daqui. A habitual festa mantém-se, no entanto mais ténue e mais suave… sem exageros. Falando no meu caso pessoal, já com família formada, mulher e filha, a responsabilidade aumenta e os pensamentos já não são sonhadores mas sim realistas. Sinceramente penso estar um pouco a meio da minha vida terrena, supondo que poderá existir a continuação do meu “EU” espiritual. Não estou triste, nem sequer melancólico, tão pouco a ficar lamechas, apenas reconheço que os anos passam e já começo a dar conta disso. Já não me sinto um jovem, sei que já não sou jovem, já não me tratam como jovem, mas sinto-me bem. O amadurecimento e o conhecimento adquiridos compensam algumas variantes já em fase descendente, afinal a vida é um binómio entre o físico e a alma. Alguns sonhos, vontades e exageros começam lentamente a trocar posições com algumas realidades, sacrifícios e acomodações… não o posso negar. Ainda não sinto nos ossos as manias do tempo, nem consigo decifrar se chove por um simples olhar do céu ou dos pássaros. Reconheço que começo a admirar o silêncio e a barulheira já não me é indiferente. Sempre adorei o meu sofá, mas esse amor está a aumentar exponencialmente. Começa a preocupar-me não fazer desporto, não alimentar-me de forma saudável, fumar meio maço de tabaco por dia. Penso no futuro e isso é inevitável, no fundo quero como toda a gente, ter boa qualidade de vida, sem sofrimentos físicos ou outros. Mas a minha norma é deixar fluir e ir vivendo, dia após dia, batalha após batalha, lutar sempre pelo melhor para mim e para os que me rodeiam.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Irmandade dos Chocalhos


Vinha eu hoje a caminho do trabalho ouvindo a rádio do costume, a TSF. Sabem como é, as notícias, o trânsito… o costume. Pelo meio das notícias foi referido um simpático idoso alentejano, o senhor Penetra, que colecciona “chocalhos”. Foi curioso ouvir o senhor a explicar o uso dos ditos, a sua verdadeira utilidade, a sua real função. Deu como exemplo uma vaca gulosa, os sarilhos e os estragos que as mesmas podem provocar. Também referenciou que cada chocalho tem o seu som, reconhecendo o pastor que animal está em actividade. Admito que esta informação é básica, não é preciso ter q.i. acima da média para saber, ou suspeitar, que um chocalho apenas teria esta função… denunciar!

Chegámos ao ponto em que também admito que me perguntem, ou se questionem, onde quero chegar com isto. Como sempre irei satisfazer a vossa curiosidade e partilhar uma ideia que tive, daquelas com lâmpada na cabeça e tudo mais.

Ora os chocalhos estão em extinção, arrastando consigo uma antiga tradição, bem como o desaparecimento de verdadeiros artesãos e um pouco da história do pastoreio. Não é coisa que me preocupe admito, tal como não deve ser para as vacas e seus parentes, mas não me é indiferente quando me lembram destas coisas da tradição. Não partilho da ideia nem fui afectado com o vírus “o que não é nacional é bom”, aliás como sou do contra sempre pensei de forma contrária, tendo mentindo por vezes para não ficar mal na fita. Mais uma vez lembro que o mal deste pais está dentro dele, poderá chamar-se falta de amor próprio, de auto confiança, bla bla, etc. Como cidadão sempre preocupado e empreendedor tratei de achar uma solução para a reutilização dos chocalhos. Segundo cálculos do senhor Penetra, só na sua colecção pessoal deverá ter cerca de 6000 destes objectos. Mas perguntam vocês… onde é que isto vai dar? Qual é afinal a ideia? Como e de que forma iremos reutilizar isto? Muito simples!

Para quem tem um pouco de atenção e preocupa-se em andar informado, quer seja com a habitual e sempre noticiada guerra na Faixa de Gaza, quer seja com os escândalos, casos de justiça, CR9 ou entre outras tantas polémicas e mediáticos acidentes de viação que ocorrem no nosso modesto pais, foi neste último que achei uma nova utilidade para os ditos… os chocalhos. Certamente não pensaram que iria tentar negociar alguma possibilidade de uso dos chocalhos para as comunidades isrealitas ou palestiniana, a não ser que um chocalho colocado em cada elemento militar isrealita, bem como um em cada “terrorista“ do hammas, tornariam o relato da guerra bem mais detalhado, além de permitir live show onde facilmente iríamos identificar os intervenientes. Mas não… os ditos ficam mesmo por cá!

Porque não propor a discussão na Assembleia da República ao uso de um chocalho por cada um dos ministros e deputados que por lá estão? Melhor ainda, se a proposta fosse aceite e se tornasse um sucesso, poderíamos estender o seu uso aos grandes administradores públicos e da banca, bem como a outros gestores de topo espalhados por aqui e ali. Assim saberíamos sempre e identificávamos onde andavam em actividade… tal como as vacas gulosas.

quarta-feira, outubro 22, 2008

Sucess Men (Homens de Sucesso)


Estamos em crise.
É a actual conjuntura.
É a globalização.
É o petróleo.
É…

Culpados?
Têm nome?
Têm cara?
Não há culpados?
Parece que não…

Eu acho que há culpados!
Não tenho provas.
Não tenho palavras.
Não sei explicar.
Apenas suspeitas.

Existem líderes.
Grandes gestores.
Empreendedores.
Criativos.
CEOs.

Consultores.
Banqueiros.
Analistas.
Profissionais.
Incompetentes.

Homens de sucesso.
Imagens de marca.
Privilegiados.
Vencedores.
Visionários.

Ditado:

“Até um relógio parado está certo duas vezes por dia. Após alguns anos, pode vangloriar-se de uma longa série de sucessos.”

Marie Von Ebner

sexta-feira, julho 18, 2008

VIP vs VIP



Tratando-se de um expressão muito em voga, a mesma destaca-se por “destacar” alguns elementos de entre os muitos elementos que compõem a nossa complexa sociedade. Falo de seres humanos naturalmente. Na minha vertente ou pura veia analítica, ou por simples curiosidade, acabei por consultar a minha biblioteca de preferência, nem mais nem menos que a já famosa página Wikipédia, a enciclopédia livre. Segundo apurei, na mesma encontra-se o seguinte:

VIP (da expressão inglesa Very Important Person tradução literal para "pessoa muito importante"), é uma sigla que designa pessoas importantes, influentes, ou altos funcionários com privilégios especiais. Expressão cunhada em 1933.

Conhecida praticamente em todo o mundo é usada também para designar lugares de alto luxo, de acesso exclusivo (Área VIP) ou mercadorias destinadas a pessoas VIP. É frequentemente usada em Apresentações para designar lugares, quem pode ou não entrar nos camarins, etc. Um exemplo são os Lugares VIP.

Muito pouco, ou melhor, pouca informação dedicada a uma expressão assim tão importante. Ou então, é tão claro e de tal forma evidente que não necessita de nada mais… tal e qual dogma é assim e pronto!

Sempre existiram VIPs.

Sabemos que existem muitos VIPs.

Conhecemos, ou não, a história de alguns VIPs.

Alguns elementos já nascem VIPs, é portanto hereditário.

A maioria dos elementos gostaria de se tornar VIP.

Alguns elementos lutam para se tornar VIPs.

Alguns VIPs chateiam-se de ser VIPs.

Existem VIPs… e VIPs.

Eu não sou VIP…

Mas… sempre o irreverente “mas”… como em tudo o que se diz, ou se quer dizer, existe sempre o reverso da medalha. Na gíria popular, ou popularucho, na linguagem da grande maioria dos elementos (não VIPs claro) existe outra tradução para a expressão: (Very Insignificant Person tradução literal para "pessoa muito insignificante").

É aqui que a bota não bate com a perdigota. Os elementos VIP designam os que não o são de VIPs, já os elementos não VIPs designam os elementos VIP como sendo VIPs. A coisa começa a ficar estranha e a conversa também…

Não fiquei confuso, apenas gostaria de saber onde é que a expressão JET7 entra no meio desta história toda.

Reloaded


Perguntei a uma amiga:
- “… então este fds... tens programa?”.

Ela respondeu:
- “…sim, tenho programas”.
- “…vou para a praia da parte da manhã de sábado e da parte da tarde vou passear ate ao fórum…”.

Eu respondi depois:
-“… pois... eu ainda nem sei... deve ser o costume, praia e churrascada... lol”.

Ontem vi de novo o filme MATRIX Reloaded. Gosto muito pois acho que reflecte muito a realidade... vai ao encontro daquilo que penso... existe mais qualquer coisa além das nossas lindas cabecinhas... se é Deus, Jesus Cristo ou Extra Terrestres é que já não sei.

A nossa vida são só sistemas... uns a trabalhar para outros... como as formigas... a diferença é que ninguém nos põe um pé em cima... ou um sapato… ou um mata moscas… mas alguém acaba sempre por pôr ou tirar alguma coisa…

terça-feira, julho 01, 2008

Os homens globalmente afastados


Durante os últimos anos tenho assistido, calmo e sereno, ao desenrolar de todo o processo de globalização. Desde os apologistas aos cépticos, ambos têm merecido a minha atenção, bem como a sua repercussão no terreno, concretamente a sua influência a nível das sociedades e mesmo a nível pessoal. Se para os apologistas este processo, sem qualquer dúvida, seria benéfico para a humanidade melhorando assim a nossa vida a todos os níveis, já os cépticos sempre pretenderam demonstrar os efeitos catastróficos do mesmo. Gosto de estar sempre ao corrente de tudo o que se passa por este mundo, estar informado para não ser surpreendido ou viver na ignorância.

Considero as vertentes, económica e de comunicação, como as mais importantes e mais influenciadas por esta nova era. São visivelmente as mais mediáticas e aquelas onde os seus efeitos se sentem nos nossos dias, na actualidade. Como é meu hábito tomei uma posição, neste caso favorável, sempre defendi este processo, contudo mantive sempre as minhas reservas. Chego á conclusão que fui atraído, ou melhor, aliciado pela facilidade e rapidez com que a informação passou a estar disponível. Acabei por destacar só esse ponto ao meu modesto requisito de exigências ao processo. Esse mesmo acesso a tanta informação, fiável ou não, acabou por também lançar toda uma série de questões até antes ignoradas. Começo a ter as minhas dúvidas quanto ao real propósito do processo, pior ainda, começo a ponderar a hipótese de o mesmo não ser inocente.

Não é novidade e actualmente vivemos e sentimos na pele uma das maiores crises dos últimos tempos. Os mercados bolsistas, agora ainda mais globalizados, estão a ruir e a viver á custa da especulação, nomeadamente á custa de bens essenciais de consumo. O petróleo, a nível energético, bem como os cereais e outras colheitas alimentares, são alvo de valores recorde de acréscimo de custo. Se um é finito, referindo-me ao petróleo, compreendendo-se assim a sua “salvaguarda”, já outro é infinito e está preso a cotas de produção. A grande certeza que já tenho é que a globalização económica não trouxe nenhum beneficio á sociedade, aliás a espaços, rebentam por aqui e por ali focos de insatisfação e violência. A corda estica cada vez mais para as famílias, penhorando-se no seu bem estar e nas suas necessidades. As empresas deslocalizam-se a uma velocidade alucinante, sendo fácil “dispensar” quem delas depende, aliado também ás recentes reformas nos contratos e estatutos dos trabalhadores. Vejo no entanto que alguns, algumas, mas muitas entidades estão a lucrar bastante com esta situação.

Ao nível da comunicação, nomeadamente e onde destaco o acesso e expansão da Internet, bem como o constante desenvolvimento das telecomunicações e dos média, acabam por ser uma faca de dois bicos. No fundo a nossa vida encontra-se agora facilitada, trata-se na realidade de um grande beneficio, e sem sair de casa podemos ter acesso a tudo, pedir tudo, consultar tudo, ou quase tudo. Em frente ao computador ou á TV estamos “presos” e “encalhados” na era digital e global. Andamos a falar, a conversar, a ver-nos uns aos outros, e tudo isto de forma virtual. A humanidade ganhou proximidade de comunicação, penso no entanto, estar a perder a proximidade sentimental e afectiva, bem como a união entre as pessoas. Por tudo isto, aqui também começo a duvidar da inocência de todo este processo. Ocorre-me frequentemente a expressão: “Dividir para reinar!”.

Apenas pretendo com este post levar todos a reflectir e pensar seriamente nos indicadores recentes, nas noticias encadeadas que por aqui e por ali vão enchendo os nossos ecrãs. Gostaria que todos olhassem para dentro dos seus lares, para as suas vidas, para o mundo exposto e acessível. Nada disto me agrada, pode ser um pressentimento meu, posso estar a ser pessimista, a vida corre-me mal. Mas sei que não é verdade e apenas eu esteja com os olhos bem abertos. Não passei a estar contra a globalização mas sim como o processo se desenrola, não tem nada a ver com aquilo que li sobre o assunto, com a mensagem transmitida. Por isso , como cidadão e pessoa sinto-me defraudado.

No fundo e infelizmente, acabo por concluir, ainda com o processo a decorrer, que na verdade o Homem globalizou-se… afastando-se!

quarta-feira, junho 11, 2008

Gratuitamente com alguns custos


Habitualmente costumo agradecer a primeira visita ao meu blog, faço-o retribuindo o gesto e comentando um “post” que ache conveniente. Tudo serve para arranjar um tema ou motivo de escrita, um click, queixa, recomendação ou simples inspiração. Numa destas visitas comentei uma queixa, um lamento real de quem sentiu na pele, ou na alma, a exposição da sua vida privada a terceiros. Surgiu assim a ideia deste post.

Este mundo virtual, este novo meio de comunicação e esta nova era da sociedade, permite-nos a liberdade de expor ou nos expormos da forma que quisermos. Aqui encontra-se de tudo um pouco, resultado e reflexo da sociedade na sua forma mais pura e natural. Se para uns (onde penso enquadrar-me) manter virtualmente a sua própria essência é fundamental, já outros apostam numa abordagem bem diferente, onde desconhecemos o que são ou pretendem ser. Uns e outros convivem neste novo mundo, têm os mesmos problemas de comunicação, tal e qual acontece no mundo real. Se uns constroem e aproveitam este espaço para procurar respostas, obter sabedoria e conhecimento, da mesma forma real outros destroem e dão a conhecer a outra face, a ignorância e um perfeito mal estar com a sociedade. Com uns e outros acabamos por aprender alguma coisa, resta-nos dissecar toda a informação que recebemos e aproveitá-la como uma dádiva.

Sendo assim, gratuitamente, expomos e expomo-nos ao mundo, recebendo dele o melhor e o pior, o pretendido ou o indesejado, a verdade ou a mentira, mas… o real. Os custos são bem reais, provocam as nossas emoções, a nossa resposta ás respostas que nos vão chegando, desconhecendo muitas vezes quem é o remetente e o que realmente pretendem. O retorno pode causar indignação, frustração e outros tantos sentimentos indesejados, mas também causa sentimentos de pura felicidade, conforto, paixão e outros tantos que nos fazem sentir bem.

Há quem desista, desligue ou ignore tudo, sendo o acto sempre mais fácil. Já outros insistem, lutam, combatem, optam por continuar a obra a que se propuseram. A esses felicito a determinação pois penso que os blogs são uma mão estendida ao mundo, não só para procurar respostas, também para as dar. Eu faço isso, procuro algumas respostas ou pontos de vista. Aprendi que nada nesta vida é “grátis” e aqui o preço a pagar é a exposição, quer queiramos quer não. Também sei que vou por este meio receber o que pretendo, a sabedoria, mas irremediavelmente também estou ciente que terei de receber a hipocrisia e a ”caca” da sociedade. Mesmo expondo e expondo-me opto por seguir em frente, penso ser o melhor caminho e parar ou abandonar é dar a vitória aos fracos.

quarta-feira, junho 04, 2008

O Sexo e a Cidade


Gostaria de deixar aqui a minha homenagem a esta especial e mítica série televisiva! Claro que gostaria ainda mais de o fazer pessoalmente, principalmente á actriz Kim Cattrall (Samantha Jones), que tantas vezes me deixou com água na boca. Á minha maneira, tal como eu gosto, a vida real exposta na sua forma mais pura. As diferenças, interesses, gostos, e muitos outros atributos dos quais se alimentam as relações, quer por simples amizade, quer pela mais arrebatadora das paixões. Sendo interpretada (e bem) quer pelas actrizes principais, quer por todos os outros protagonistas, a série tornou-se um vício e um hábito em determinado período da minha vida. Nem mesmo alguma (pretensa) critica aos homens em geral me dissuadiu de adorar a série. Saiu recentemente o filme onde estão todos presentes, certamente não vou perder mais esta oportunidade de rever/sentir o elixir de outros momentos. Até lá fica com saudade a habitual premissa:

Carrie Bradshaw trabalha como colunista de um jornal onde relata histórias sobre relações interpessoais e sexuais. Carrie vive em Manhattan, Nova Iorque. Conta sempre com as suas três amigas: Samantha Jones, a típica loura fatal que trabalha como relações-públicas e está sempre atrás de um bom partido sem compromissos; Charlotte York, que trabalha numa galeria de artes, e é a romântica e sensível que busca sempre longos relacionamentos, embora nunca consiga ter um; e Miranda Hobbes, advogada, racional, e a mais prática de suas amigas, sempre sabendo o que quer da vida (ou quase isso).

As mulheres:

Carrie Bradshaw (Sarah Jessica Parker): A artista principal e especial, uma mulher que estimula em nós (homens) uma simpatia automática. A mais equilibrada e aquela que representa o tipo de mulher que mais aprecio.

Charlotte York (Kristin Davis): Muito bonita e elegante. Mas não faz nada o meu género, não aprecio muito a educação de classe média-alta, conservadora e tradicionalista.

Miranda Hobbes (Cynthia Nixon): Fria e calculista, muito durona e forte. De longe aquela que representa a perspectiva mais cínica relativamente aos homens e às relações. Passou-me sempre ao lado.

Samantha Jones (Kim Cattrall): A mais velha do grupo, a mais apetecida e a mais sedutora. Uma daquelas mulheres com que nenhum homem se importava de esbarrar um dia.

O homem:

Gostaria também de deixar uma especial homenagem ao “nosso” defensor Mr. Big (Chris Noth). Não se trata assim uma mulher… muito menos a nossa Carrie. Muita distinção e uma presença invejável, digna mesmo de mentor, tal e qual manual de “como tratar com/as mulheres”.

terça-feira, junho 03, 2008

Memórias esquecidas

Será possível “esquecermo-nos” da(s) nossa(s) memória(s)?

Sempre ouvi dizer que toda a nossa vida, todos os momentos, estão gravados no nosso cérebro. Serão mesmo, analogicamente, a base de dados pela qual respondemos e reagimos aos requisitos da vida. Na realidade, ou melhor, na generalidade, penso que todos nós gostaríamos de esquecer os “maus momentos” e, contrariamente, recordar sempre os “bons momentos”. Certamente não seria nada agradável se tudo fosse cor de rosa, qual seria então o sentido de viver?

No mundo da ciência podemos encontrar algumas respostas:

“… Memória é a capacidade de reter, recuperar, armazenar e evocar informações disponíveis, seja internamente, no cérebro (memória humana), seja externamente, em dispositivos artificiais (memória artificial). A memória humana focaliza coisas específicas, requer grande quantidade de energia mental e deteriora-se com a idade…”

“… segundo diversos estudiosos, é a base do conhecimento. Como tal, deve ser trabalhada e estimulada. É através dela que damos significado ao quotidiano e acumulamos experiências para utilizar durante a vida…”

“…existem diversos factores relacionados com a perda de memória…”

“… amnésia é a perda parcial ou total da capacidade de reter e evocar informações…”

“… ou amnésia psicogênica resultante de factores psicológicos que inibem a recordação de certos factos ou experiências vividas. Em linhas gerais, a amnésia psicogênica actua para reprimir da consciência experiências que causam sofrimento, deixando a memória para informações neutras intacta. Neste caso, pode-se afirmar que a pessoa decide inconscientemente esquecer o que a faz sofrer ou reviver um sofrimento. Em casos severos, quando as lembranças são intoleráveis, o indivíduo pode vivenciar a perda da memória tanto de factos passados quanto da sua própria identidade…”

“… a depressão é a causa mais comum, porém a menos grave. Denomina-se depressão uma doença psiquiátrica, que inclui perda do ânimo e tristeza profunda superior ao mal causado pelas circunstâncias da vida…”

“… doença de Alzheimer, doença de Parkinson, a relação entre a memória e o olfato…”

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


De facto, pode até ser verdade que possamos esquecer as nossas memórias, quer seja por muito querer (se é que isso é possível), quer seja por qualquer um dos factores acima descritos. No entanto, tirando as causas por doença, a verdade é que a qualquer momento, em qualquer local, o recurso ou a chamada ás memórias, pode alterar o rumo das nossas vidas. Podemos não ter acesso a elas, mas elas estão presentes, gravadas. Apenas nos esquecemos delas… até um dia!

terça-feira, maio 27, 2008

Xixi do cérebro (sonhos)

Durante leitura de um livro de Margarida Rebelo Pinto, achei bastante curiosa esta “comparação” para definir os sonhos. Aliás, outra coisa não seria de esperar de Miguel Esteves Cardoso (MEC), o mentor da dita. Tudo isto porque a noite passada fartei-me de sonhar e lembro-me bem de acordar em sobressalto…

Dizem, pelo menos lembro-me de já ter ouvido, que sonhamos sempre que dormimos. No entanto, nem sempre nos lembramos de ter sonhado. Também, por curiosidade, reparei que existe, em livros ou na internet, matéria sobre o “Significado dos Sonhos”.

O primeiro dos sonhos terminou comigo a sair a porta de um táxi, preto, tipo Mercedes 190. Um daqueles que, pelo menos, já deu a volta uma vez. Sei que me deitei no banco traseiro apenas para sentir o seu cheiro, aquele aroma característico. A porta, ao fechar-se, emite aquele estalido repugnante de um insecto a ser “pisado”. Assim aconteceu quando a porta se fechou e onde o dito se “entalou”. Quando pouso o meu pé no chão, sinto uma aranha de dimensão razoável, preta e peluda, bem entre o meu pé e o chinelo. Lembro-me bem da minha aflição, sentindo aquele toque nervoso, assim ao de leve, vocês sabem como é… e abanar o pé para tentar afastar a dita sem a esmagar… quando acordo! Logo percorrendo com os meus pés bem no fundo dos lençóis á procura de alguma coisa estranha. Felizmente nada senti e creio que adormeci logo de seguida.

O segundo foi mais aflitivo, ainda mais assustador! Como palco dos acontecimentos podem imaginar uma antiga fábrica, estaleiro ou um qualquer local abandonado, onde apenas existiam recobros, monos, restos de edifícios e barreiras em placas de zinco. Lembro-me que estava com a minha mulher e filha, sem saber qual a razão. Outras pessoas também circulavam pelas imediações, tudo um pouco estranho. Ao virar uma esquina avisto ao longe os felinos, tamanho XL, atacando um carro velho, que estranhamente parecia um brinquedo rolando por entre as suas garras. A minha mulher vinha mais atrás e já não sabia dela. Quando recuo para a avisar aparece um leão, também tamanho XL, que rapidamente investe sobre mim e a minha filha. Instintivamente, coloco a minha filha aos ombros e começo a subir o que resta de uma estrutura qualquer, tipo contentor. Ao mesmo tempo procuro a minha mulher… quando acordo! Fico satisfeito por acordar, era mau demais e a volta á realidade deixa-me satisfeito. Antes de voltar a adormecer agendo uma verificação de resultados, ou significados, destes terríveis sonhos. Foi uma noite de xixi… muito ácido por sinal.

Na internet procuro aranhas e leões, onde encontro a seguinte informação quando se sonha com animais:

Aranha - Seu sucesso dependerá do seu esforço. Cuidado no trato com mulher. Sorte: cobra.

Leão - Protecção de alguém poderoso. Grande força em todas as situações. Sorte: leão.

Admito que não fico indiferente aos sonhos, apesar de terem para mim uma importância efémera. Quanto ao suposto(s) significado(s) nem sei o que pensar. Apenas fiquei curioso quanto á “protecção de alguém poderoso”… quem será?

quarta-feira, maio 21, 2008

Os homens não são caçadores?

Perguntou-me hoje uma amiga se nós (homens) somos caçadores.

Fiquei curioso pois já não é a primeira vez que me questionam acerca deste assunto. A minha resposta imediata foi: “… sim... tal como as mulheres... mas estas mais subtis!”.

Depois rebati com: “… somos como os animais... andamos sempre a observar... a sentir desejo... mas temos consciência e regras... uns deixam-se ir na onda e são verdadeiros predadores... outros seguem as regras...”.

Acrescentei ainda: “… é verdade... o amor e o respeito... são muito importantes... mas na realidade andamos uns com os outros... em plena e harmoniosa orgia...”.

Somos humanos! No meu ponto de vista todos temos as mesmas capacidades, ou seja, sermos por opção os predadores ou as presas. Somos (nem sempre) civilizados, seres competidores, mas ao contrário dos restantes animais, e por regra, não o fazemos por uma questão de alimentação ou mera sobrevivência, falando de vida ou morte. Até o fazemos, mas de outra forma, não seguindo o ritual equilíbrio da cadeia da natureza. Segundo algumas definições:

“… O ser humano pode ser definido em termos biológicos, sociais e consciência…”.

“…O ser humano é uma espécie eminentemente social. Criam estruturas sociais complexas, compostas de muitos grupos cooperantes e competidores.

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Acho que a principal e verdadeira competição, aquela que todos nós estamos a jogar, é mesmo a da procura da felicidade. E neste campo, somos predadores ou presas, consoante as nossas necessidades e a nossa consciência. É a “natureza” a actuar na sua essência mais pura, isenta de condições sociais e morais. É a nossa resposta para sobreviver dentro da complexa sociedade que criámos. Não somos máquinas… temos sentimentos!

terça-feira, maio 20, 2008

Quem és tu?

Sim! Quem és tu? Maldito sejas com a tua insistência intolerante e desrespeitadora da paz alheia. Será preciso morrer para te calar? Vais continuar a perseguir-me mesmo no mundo das almas? Faz-te á vida animal doente e peganhoso… reles! A tua mesquinhez é tão absurda que já não te consigo aturar nem mais um segundo. Detestas que te esqueça e sempre arranjas forma de ressuscitares a tua miserável presença. Mas olha! Um dia irei acabar por te esquecer de vez e voltar a sentir a paz de quem não atura presenças peçonhentas assim como tu! Tens vagueado a teu belo sabor e não tens pena de nada nem de ninguém. És de tal forma cruel ao pensares que tens algum crédito e que vais conseguir vencer-me. Abanas-me… atrapalhas-me… desrespeitas-me… mas não sabes com quem te estás a meter! Tudo tem um fim, sabes que um dia também te vais não é? A história que deixaste escrita e lacrada no tempo será substituída por uma grande festa quando morreres e jamais serás recordado! Vai-te!

quinta-feira, maio 15, 2008

O que define a felicidade?

Sim… o que define a felicidade? Sermos felizes depende realmente de que factores? Da saúde, do amor, da realização profissional, do dinheiro, ou simplesmente do somatório de todos estes e muitos outros factores que não enunciei? Teremos de ser obrigatoriamente 100% felizes? Há quem seja feliz com nada, já outros são infelizes e têm tudo, ou pensam (pensamos) que têm tudo. De uma coisa tenho bem a certeza, sei que se sente, sermos ou não felizes, o que me faz pensar se afinal nenhum factor entra na equação. Mais uma vez, a essência de cada um de nós, está directamente ligada também á felicidade. Existem aqueles que são felizes com pouco, já outros andam sempre infelizes com muito, com pouco, ou mesmo com nada. Chamam aos últimos os eternos insatisfeitos. Na equação da felicidade, onde os números são substituídos pelo fio da vida, existem acontecimentos únicos para cada um, positivos e/ou negativos. O resultado da equação, onde cada um pretende maximizar o nível de felicidade, depende do fio da vida e dos acontecimentos, positivos e/ou negativos. No entanto, tal como acontece com os números, existem factores de erro. O erro está contemplado no mundo da matemática, é estudado no sentido de o eliminar. A tarefa (penso) está longe de ser conseguida, o erro é contemplado em “margens” e o infinito fará sempre parte desta equação. Na equação da vida penso que o infinito é representado pelo nosso sub-consciente, sendo o mesmo a máquina que calcula o valor final… o sentimento que se sente. O resultado da equação é dado e sentido, no entanto não nos é facultado, por muito que queira-mos, o desenrolar do algoritmo. Ai poderíamos verificar onde ocorre o erro… se é que ele existe realmente! Ou então, sabendo o erro... que valor colocar? É por esta, e por outras, que a matemática nunca me fascinou…